kardec - o educador

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terça-feira, 30 de abril de 2013


SABER VIVER COM AS DIFERENÇAS




 “Ama e compreenderás. Compreende e servirás sempre mais cada dia, porque então permanecerás sob a glória da luz, inacessível a qualquer incursão das trevas.” (Emmanuel, no livro “Fonte Viva”, item 159, psicografia de
Francisco Cândido Xavier.)

As sábias, fraternas e justas leis universais souberam criar um código divino capaz de permitir a cada ser humano a possibilidade de instituir a sua própria individualidade. Dessa forma, cada qual tem a liberdade de seguir o seu caminho deliberando por quais rumos deva trilhar.
Assim sendo, ao longo do tempo, pois que todos fomos criados por Deus na simplicidade e na ignorância, devendo fazer o nosso progresso íntimo, formamos o nosso patrimônio evolutivo exclusivo, o que nos permite ser o que somos na atualidade.
Cada um de nós possui, hoje, o que conseguimos conquistar mediante esforços próprios, sempre contando com o apoio e a sustentação das Leis Divinas. O Pai Celestial nos assegura todos os recursos e possibilidades para que prosperemos, mas prosperar é tarefa exclusivamente nossa.
Como cada criatura usa os recursos disponíveis de acordo com o seu interesse, responsabilidade e amadurecimento, é natural que existam no contexto social variadas posições entre os homens. Uns aproveitaram mais as oportunidades que tiveram, outros nem tanto. Dessa forma podemos perceber as grandes diferenças existentes no âmbito das coletividades.
Assim, a paz e a serenidade entre os seres humanos somente poderão decorrer da forma equilibrada de convivência com tais diversidades.
Tendo cada criatura edificado o seu mundo íntimo, com as características que livremente desenvolveu, é muito natural que sejamos diferentes uns dos outros e a grande sabedoria estará em administrar esses pontos conflitantes.
Divergir não significa criar área de atritos, mas, sim, gerar a possibilidade de exercitarmos a compreensão e a tolerância, virtudes indispensáveis para a formação de uma ambiência harmônica e fraterna.
À medida que aprendemos e conseguimos conviver com os nossos irmãos de caminhada como eles são, criamos condições para que os outros nos aceitem como somos.
Da mesma forma que precisamos aceitar o próximo com a sua maneira própria de vida, ele também deverá conviver conosco do jeito que somos. Se cada um insistir em valorizar somente as suas particularidades, por certo, o clima de guerra se estabelecerá. E é exatamente isso que temos observado com frequência no meio social em que mourejamos.
Compreender e tolerar, isso é indispensável.
Simbolicamente, tomemos o exemplo da colcha de retalhos. Tecidos de todas as cores, de todos os tamanhos e de todas as texturas, quanto unidos formam uma colcha de retalhos, uma peça valiosa que, num dia de frio, aquecerá um corpo necessitado. As diferenças dispostas de forma fraterna e harmônica produzem um importante benefício.
Com tal conceito precisamos viver.
Aprendamos a tirar proveito das diferenças existentes entre nós, seres humanos, e, por certo, a vida nos será bem mais tranquila, prazerosa e feliz.
Imaginemos a monotonia que seria a nossa jornada na Terra, se fossemos todos iguais.
Experimentemos ampliar o leque da nossa compreensão e da nossa tolerância, e aguardemos os resultados.
Pense nisso.

revista O CONSOLADOR

sexta-feira, 26 de abril de 2013



O JOVEM E AS OPORTUNIDADES


O mundo modifica-se em velocidade vertiginosa, mostrando a rapidez da evolução. O que era útil há 10 anos, por exemplo, hoje pode estar obsoleto. A própria tecnologia é capaz de comprovar o que disse acima. 


Em minha incipiência ante as novidades, enquanto adquiria um MP, alguns amigos, por coincidência jovens, divertiam-se com um moderno MP12. É o progresso em alta velocidade!

Eu não acompanhei, quando percebi estava anos luz atrás.
Temos que mudar com o mundo adaptando-nos às novas circunstâncias para não sermos ultrapassados pelo caudaloso rio da evolução. E afirma a lógica: o mundo se transforma para todos, crianças, jovens, adultos, idosos...
Trazendo a realidade das mudanças para a Doutrina Espírita e sua relação com os jovens, somos impelidos a nos perguntar:
O jovem de hoje é o mesmo de antigamente, há 30, 40 anos? O que você acha? Será que o jovem atual obedece aos mesmos estímulos e mecanismos de aprendizagem?
Há algum tempo escrevi artigo sobre a juventude espírita e a reportagem da revista Isto É, que afirma serem poucos os jovens a engajarem-se na doutrina codificada por Kardec.
Ora, temos que mergulhar fundo para entender algumas coisas, tais como:
A reportagem da revista exprime a realidade? Se exprime a realidade, por que ela ocorre e o que fazer para mudar esse paradigma?
É necessário, pois, formular algumas perguntas e respondê-las com sinceridade para que possamos contribuir da melhor maneira possível, transformando o centro espírita em espaço aberto para que a juventude cresça alicerçada sobre as diretrizes sublimes do Espiritismo.
Como os dirigentes espíritas estão trabalhando com a juventude? Será que estão abrindo espaço? Será que estão dando oportunidades aos jovens para eles trabalharem na seara de Jesus? Será que há chance da manifestação do jovem no centro espírita?
Será que ainda trazemos o modelo mental de que os mais velhos tudo sabem e os mais novos são inexperientes?

São apenas questões sem intenção de causar constrangimento a quem quer que seja; a ideia é levar reflexão e facilitar a interação entre as inúmeras gerações.

 Aliás, a interação desamarra os cadarços presunçosos da relação “UM SABE E OS OUTROS APRENDEM”, afinal, independente da idade estamos todos aprendendo uns com os outros.


 Aí reside a beleza da vida! Aprender sempre; aprender sem preconceitos com jovens, adultos, crianças, idosos. E o espírita não foge à regra. 


 Por isso é de suma importância atentarmo-nos para a transitoriedade de cada fase da existência física e suas maravilhas, pois assim será mais fácil trocarmos experiências enriquecedoras com todas as gerações, de modo que todos serão beneficiados, inclusive as atividades na Casa Espírita.
 
 
Wellington Balbo - O Consolador 130

terça-feira, 23 de abril de 2013

Viver sem drogas

A palavra ”droga” em sua origem etimológica significa “mentira, embuste”, ou seja, aquele que usa drogas mente a si mesmo, pois se engana crendo se libertar de situações ou problemas. 


Caro leitor, como a droga chega até alguém? Vejamos o seguinte relato de uma jovem de 14 anos. “Eu vivia até a alguns meses atrás em outra cidade do estado de São Paulo, quando minha mãe (é filha de pais separados) resolveu se mudar para Tupã em razão de problemas na ordem familiar local, com nossos parentes... 

Em aqui chegando, minha mãe não conseguiu trabalho... Necessitando ir trabalhar em outra região, deixando-nos, a mim e a um irmão de 11 anos, sob os cuidados de uma família amiga... 

 Passamos a nos ver somente uma vez por mês, e nos comunicarmos por telefone, todas as semanas. Após esses acontecimentos, passei a ficar muito triste, com ideias muito estranhas de solidão e morte. 

 Eu não me sinto à vontade para conversar com a família que cuida de nós. Por algumas vezes eu já me embebedei com cerveja e vinho em fins de semanas, e tenho tido vontade de experimentar coisas diferentes.” 

 Neste momento do seu relato lhe perguntamos do que é que ela pensa em experimentar de diferente, sendo a sua resposta: “eu queria experimentar ‘drogas mais fortes’ que me fizessem esquecer essa minha vida ruim e triste”.  

Bem, querido leitor, esta narrativa basta para que possamos analisar aquilo que denominamos uma 

“porta de entrada para as drogas”.  

Em primeiro lugar analisemos o “momento existencial” desta jovem. Ela passa por transformações e mudanças que lhe pedem adaptações, quais sejam, mudou-se de cidade; o pai está ausente devido à separação conjugal; ela está morando com uma “família de amigos“ (mas que na verdade lhe são estranhos como familiares); passou a ter um grau de responsabilidade muito grande, pois necessita cuidar da casa e do irmão mais novo, que não lhe obedece, responsabilidades estas que não possuía até bem pouco tempo atrás.

 Não bastasse tais fatos, se encontra em um momento muito importante e difícil de sua vida: sua adolescência.   

Neste ponto podemos questionar o que é a adolescência? Resumidamente poderíamos dizer que ser adolescente significa: estar em um período da existência onde a carga de tendências, dos instintos, gostos, desejos, ideais, sentimentos, vícios e virtudes que o ser carrega consigo lhe ocasionará profundas transformações crescentes da personalidade, com mudanças bruscas de comportamentos e atitudes em seu caráter. 

Nestes momentos sua personalidade revela uma expansão das emoções, instabilidade emocional (ora alegre, ora triste, ora entusiasmado, ora desalentado), períodos de revolta, introspecção, meditação, exaltação, um imenso vigor físico e vitalidade das forças físicas e psíquicas, muito idealismo, e nesta fase inicia-se o despertar da sexualidade, provocando uma alteração brusca na maneira de ver e conduzir a própria vida.  

Veja, querido leitor, o momento existencial desta jovem de nossa história (verdadeira), que vive o seu mais importante e delicado momento, o que é normal em todo jovem adolescente, mas que neste caso não conta com o apoio e a presença da mãe, figura importante nas relações familiares e, com a ausência do pai, que poderia estar exercendo o papel peculiar de um pai. 

Como se encontra em estado de angústia e insegurança, com toda a sua realidade do momento, está procurando uma solução para sua vida e, não se deparando com soluções razoáveis, nem com a presença dos pais, buscou, através do ato de embebedar-se, “saídas” para seu sofrimento atual.

 Esse vazio produzido há que ser preenchido de algum modo. Como não dispõe ainda de maturidade, apela para “o combustível” denominado “droga”, com o fim de mitigar as ansiedades e angústias, geradas pelas frustrações afetivas e familiares, além da peculiaridade da adolescência que vivencia.  

Essa é, caro (a) leitor(a), “uma porta de entrada” para as drogas na vida dos jovens. 

No dizer de Kardec, a “a educação é o conjunto de hábitos adquiridos”, e Santo Agostinho fala-nos sobre a missão dos pais: “a tarefa é difícil, mas não impossível; não exige o saber do mundo; o ignorante como o sábio pode cumpri-la e o Espiritismo veio facilitá-la, dando a conhecer a causa das imperfeições do coração humano”. 

 Perguntamos: Como esta jovem suportará sua vida, sem a presença de um lar estruturado, com um mínimo de amor e equilíbrio? 

“A luta contra a droga deve estar baseada numa concepção ideológica que respeite a VIDA sobre todas as coisas. A VIDA, assim, com maiúscula e grifada, num conceito que abranja não só os seres humanos como também a natureza em geral e o meio ambiente. Como é importante uma família e, acima de tudo, organizada!”. 
 

Valci Silva, de Tupã (SP), é psicólogo especialista em dependência química. o CONSOLADOR

sexta-feira, 19 de abril de 2013



                   A PARÁBOLA DO SEMEADOR

O Semeador,  suas sementes e a qualidade da terra.

 Na família também semeamos todo o tempo, e, podemos dizer que, quando nos tornamos pais, temos a "delegação" de Deus para a semeadura na família.
 A qualidade da terra representa as diferentes personalidades dos filhos que recebemos em nossos lares, variação esta acentuada pela diversidade dos compromissos do nosso passado.

É na Terra, mundo ainda na categoria de expiação e provas, que recebemos em nosso lar, pela lei das afinidades, aquele que no passado compartilharam conosco de ações de toda ordem.

Ao segurar nos braços a criaturinha que nos chega pelas vias da reencarnação não sabemos, por misericórdia de Deus, que tipo de terra se nos está sendo apresentada para a semeadura:

*Os filhos beira do caminho são aqueles em que os ensinamentos não se fixam. Outras idéias, representadas pelas aves, sobrepõem-se facilmente.

Os pais semeiam todo o tempo sem presenciar qualquer germinação; ao contrário, outras tendências, próprias, provenientes do meio ou insufladas por espíritos que se lhes afinizam, tomam o lugar da germinação esperada.

*As famílias beira do caminho são as famílias permeáveis onde não há barreiras para a entrada de idéias e ensinamentos estranhos - as aves que podem “comer” todos as "sementes", impedindo a sua germinação.

*Os filhos chão pedregoso são os filhos "pouca terra", onde todas as ideias  germinam com entusiasmo inicial. As plantinhas, porém, não têm raízes ao primeiro sol (dificuldades, dores, contrariedades) logo morrem.

São os filhos de pouca vontade ou de temperamento volúvel, que agem por estímulos fortes, porém passageiros.

*As famílias chão pedregoso são as que oscilam entre o entusiasmo passageiro e o desequilíbrio causados pelas contrariedades da vida. Não tendo o amparo de uma crença perambulam de idéia em idéia, de acordo com as conveniências e contrariedades da vida.

*Os filhos espinheiros são os em que as imperfeições do passado fazem sombra e sufocam as sementes.

Muitas vezes, em condições de crise, conseguem aceitar o ensinamento, mas passado o momento retornam ao abafamento de suas próprias personalidades.

*As famílias espinheiros são as famílias impermeáveis, que não permitem, dentro do seu abafamento, o brotar de novas idéias.

*Os filhos e famílias terra boa são aqueles que estão preparados para a semente e vão produzir de acordo com sua capacidade (30 para 1, 100 para 1,...). São os indivíduos e família em pleno trabalho de reforma intima, estáveis, em curso normal de evolução.

UM SEGREDO NESTA PARÁBOLA
Há dois mil anos passamos adiante esta parábola de Jesus, e nela devemos notar algo essencial e, também, invisível aos nossos olhos:

O semeador semeia sempre; não olha para traz; não tem ansiedades pelo futuro nem maldiz a terra ou as dificuldades do passado e do presente que atrapalham a sua colheita; simplesmente continua semeando.

Os pais, na função de semeador, não amam a semente nem a colheita.

Amam sim a terra que cultivam e que trabalham para tornar mais produtiva.

Sua semeadura não se restringe ao lançar de sementes, palavras valiosas, mas também na exemplificação que significa o trabalho na terra pedregosa, afofando-a e retirando-lhe as pedras para o arejamento da raiz; o extirpar de más inclinações do passado, desbastando os espinheiros e ajustando a beira do caminho para que esta acolha as sementes antes da chegada das aves que com certeza virão visitá-la.

*As famílias afetivamente amorfas são o resultado dos semeadores que não  semeiam, indiferentes ao destino da terra que lhes foi confiada.

*As famílias afetivamente passionais são o resultado dos semeadores que se voltam contra a terra, contra Deus e contra todas as dificuldades que os visitam. Violentam a terra, cobrando dela resultados que esta ainda não está preparada para proporcionar.

*As famílias afetivamente compensatórias e semipermeáveis são o resultado do trabalho constante do semeador, assim como na parábola, que entende que mesmo a terra boa produz proporcionalmente á sua capacidade (30 para 1, 100 para 1,...).

Temos recebido, à luz do espiritismo, as sementes, a palavra do reino, os ensinos espirituais.

Segundo o que produzir com esses ensinamentos, cada qual revelará, em sua vida, que tipo de solo é a sua alma. 

no Evang.II Espiritismo, Cap,14, parág.9, temos um interessante ensinamento que vem completar as nossas reflexões:

"Quando os pais fizeram tudo o que deviam para o adiantamento moral dos filhos, se não se saem bem, não têm censuras a se fazer, e sua consciência ' pode estar tranquila, mas, ao desgosto muito natural que experimentam do insucesso dos seus esforços, Deus reserva uma grande, uma imensa consolação, pela certeza que não é
senão um atraso, e que lhes será dado acabar em outra existência a obra começada nesta, e que um dia o filho ingrato os recompensará com seu amor. "

A  família no mundo  atual





segunda-feira, 15 de abril de 2013


A morte numa 
perspectiva espírita 
  
A morte dos entes queridos continua sendo um dos momentos mais difíceis e dolorosos na vida das pessoas.

O sentimento de perda, em situações assim, é um fato frequente, muito embora os cristãos entendam, de um modo geral, que a vida continua e que, em essência, a morte não existe tal qual muitos a supõem.

Quando ocorreu, anos atrás, na capital de São Paulo o incêndio do edifício Joelma, em que morreram dezenas de pessoas, umas vitimadas pelo fogo, outras pela asfixia causada pela fumaça e um certo número por haverem pulado do edifício numa tentativa desesperada de fugir à morte, o médium Francisco Cândido Xavier serviu de intermediário à revelação de uma informação ao mesmo tempo curiosa e consoladora.

Os imortais disseram então, pelas mãos do saudoso médium, que naquelas horas difíceis dois eram os cenários.

O primeiro, do lado de cá, era constituído de muito sofrimento, de desespero, de gritos, de desesperança.

 A ação dos bombeiros, a movimentação dos repórteres, a busca de notícias por parte dos familiares dos que trabalhavam naquele prédio, tudo isso contribuía para dar ao episódio um caráter de tragédia, típico de situações como aquela.

O outro cenário, invisível aos nossos olhos, apresentava-se inteiramente diferente. 

 Espíritos amigos dos que ali pereceram recebiam com festa os que retornavam naquele momento à chamada vida espiritual. 

Cânticos de alegria, abraços calorosos e aplausos, eis o tom de um cenário que mostrava como se dá a recepção espiritual àqueles que cumprem até o fim o seu dever no plano corpóreo.

Comentando o tema morte, Kardec fez, em determinado momento, uma analogia entre esse fato e a libertação de um prisioneiro que acaba de cumprir uma longa pena.

Imaginemos, escreveu o Codificador, a situação do colega de cela que vê partir o amigo. 

É claro que ele sentirá saudade do companheiro, mas, em sã consciência, jamais lamentará a libertação do amigo que, atendidas as exigências da Justiça, ganha agora a liberdade.

A morte é isso. Ela é uma espécie de conquista da liberdade, a retomada de atividades que já eram executadas pela pessoa antes da existência ora finda e que agora podem ter continuidade.

Depois de peregrinar por muitos anos na crosta do planeta, limitado por um corpo material que restringe, como sabemos, as possibilidades perceptivas da alma, o indivíduo tem o direito, enfim, de reencontrar os amigos que o aguardam e dar sequência a um projeto cuja meta é a perfeição, assunto a que Jesus se referiu tantas vezes.

Com efeito, os cristãos que conhecem o Evangelho hão de lembrar-se, por certo, destas palavras do Mestre: “Vós sois deuses. Tudo o que faço podereis fazer também e muito mais”.

Diante do esquife, lembremo-nos, pois, da informação trazida pelo saudoso médium e estejamos certos de que a morte só atinge o corpo material mas nada ocasiona ao Espírito.

Morte é mudança de domicílio e de tarefas. Não há motivo real para lamentá-la, mesmo porque, excetuados os casos de suicídio voluntário ou involuntário, ninguém retorna à vida espiritual antes da hora. 

Pelo menos é isso que centenas de mensagens enviadas pelos próprios Espíritos têm dito a respeito do assunto.

 


sexta-feira, 12 de abril de 2013


Namoro espírita

Conheci vários... Conheci casais que começaram a namorar nas atividades da juventude espírita e que hoje se apresentam como belas famílias, integradas e felizes.

 Diria mais! A maioria dos enlaces é oriunda de amizades que cultivamos no ambiente escolar, no ambiente profissional e, para aqueles afetos, no ambiente religioso. 

Como local de convívio de pessoas que comungam a mesma visão da vida, a prática religiosa termina por ser a fonte de muitos e longos relacionamentos.

Daí surgem momentos de fortalecimento, de vivência, nas atividades do “Culto do Evangelho no lar”, na emoção dos trabalhos assistenciais, nas discussões acaloradas e toda a gama de eventos mágicos que compõem a nossa juventude em uma casa espírita, vividos pelo jovem casal e que trazem as mais ternas lembranças, passados os anos.

 O livro “Vida e Sexo”, de Emmanuel, psicografia de Chico Xavier, com belas palavras descreve o período do namoro como:

Inteligências que traçaram entre si a realização de empresas afetivas ainda no Mundo Espiritual, criaturas que já partilharam experiências no campo sexual em estâncias passadas, corações que se acumpliciaram em delinquência passional, noutras eras, ou almas inesperadamente harmonizadas na complementação magnética, diariamente compartilham as emoções de semelhantes encontros, em todos os lugares da Terra. 

Mas nem tudo são flores. Nos momentos de desavenças, de conflito, de separação, o conhecimento espírita e a conduta digna deve também pautar a relação. É nessa hora que nós realmente nos mostramos espíritas. 

 Culpabilizações, ciúmes doentios, traições, abandono afetivo, gravidez indesejada e tantos outros eventos comuns aos relacionamentos não estão ausentes do mundo do relacionamento afetivo entre espíritas, o que demanda uma conduta cristã dos jovens e principalmente dos dirigentes da juventude e frequentadores da casa, entendendo os contextos, sempre com os “olhos do Cristo”.

Inúmeras também as desavenças entre casais que causaram entraves nos trabalhos espíritas. 
 Companheiros jovens, labutando no bem, se ocorre uma separação, uma briga, tudo se desarmoniza. 

Esse é um outro cuidado que nos cabe. Saber separar a individualidade da figura do casal. 

Relações afetivas podem ter fim, principalmente no período da juventude, e, sejamos sinceros, a “Vida continua”. Nossa relação com o trabalho no bem e com a Doutrina Espírita deve ser separada da relação afetiva. 

Talvez não dê para frequentar a mesma casa espírita, revendo sempre o ex-companheiro. Mas existem outras casas e outros trabalhos...

E, por fim, a questão do namoro espírita suscita no jovem ainda um outro grande desafio: E se o jovem espírita, ativo e trabalhador, engajado nas atividades doutrinárias, se apaixona por uma pessoa vinculada a outra denominação religiosa? Parece complicado... Mas tudo é uma questão de abordagem. 

Religião é questão de afinidade e entendimento. Deve servir para unir as pessoas e não para dividi-las. 

Caso o coração escolha alguém de outra seara, o “respeito mútuo à individualidade”, uma grandeza que sustenta grandes relações, deve ser a tônica que permita a vivência do amor, compreendendo a sua identidade religiosa. E nada de se afastar do trabalho no bem!

 O nosso compromisso é com Jesus!

Tantas questões, tantos cuidados... Mas ainda acho que uma das coisas mais belas do mundo é ver jovens casais irmanados no mesmo ideal, atuando na distribuição de sopa, consolando os doentes, sonhando o dia que terão o seu lar, que farão o Culto do Evangelho na companhia de seus filhos, Espíritos que desde aquela época de “namoro espírita” os acompanhavam, já sonhando com aquele espaço doméstico envolto em ideais sublimes.
    
Marcos Vinicius de A. Vargas - O Consolador

terça-feira, 9 de abril de 2013

 Quem não se comunica...

Há 152 anos a Doutrina Espírita vem consolidando a sua credibilidade no mundo, sobretudo porque as descobertas científicas têm caminhado, passo a passo, com muitas das verdades já há tanto propagadas por Kardec. 

Avançamos. Se ontem as pessoas corriam dos espíritas, hoje correm para nós, atrás de respostas que só “O Consolador” pode dar.

Mais que nunca, é preciso divulgar o Espiritismo. Mas divulgar não é empurrar material doutrinário goela abaixo. 

É antes de tudo comunicar-se, estabelecer empatia imediata com o receptor, despertar interesse inicial, contínuo e gradativo pelo material apresentado, é fazer-se entender e sentir.

 Assim, há que se ter uma abordagem minimamente adequada, para que se consiga tocar a alma e chegar à razão.

Neste ponto, faz-se urgente uma reflexão. Conseguiremos nós, espíritas, alcançar corações e mentes, em pleno século XXI, sem atualizar nossas formas de comunicação?

A pretexto de fidelidade doutrinária, campeia entre nós um linguajar monótono e obsoleto. Incrivelmente, ainda há quem acredite que ser fiel à codificação se resume à manutenção da linguagem utilizada pelo codificador no século retrasado ou, quando muito, à continuidade das mesmas formas de expressão utilizadas nas décadas de 40 a 60 – apogeu da produção mediúnica de Chico Xavier – causando a incômoda impressão de que estamos parados no tempo.

Outro dia, lendo o editorial de um periódico federativo, dei de cara com a palavra “efemérides” - entre outras expressões arcaicas que recheavam o texto - e fiquei a pensar que se a mim, que já passei dos cinquenta, soa estranho, imagine ao pessoal da nova geração!... 

Tendo que dar tratos à bola para decifrar o que significa tal “palavrão”, já praticamente extinto nos dias de hoje. Essas situações comprometem, de pronto, a continuidade da leitura, pois a chamada leva a pressupor – e com razão – um texto maçante.

Quem vai se interessar por matérias cujos termos remetem ao tempo dos nossos bisavós, o que – com todo o respeito que devemos aos nossos ascendentes – nada tem a ver com os anseios do momento presente?

Como podemos querer o aval da comunidade científico-tecnológica, se em plena era virtual ainda insistimos em chamar planeta de “orbe”, só porque Emmanuel, na década de 50 – quando esse termo ainda estava em uso – assim o fez? 

Se, rebuscadamente, nos referimos à sociedade “hodierna” – citada por Joanna de Ângelis – quando poderíamos simplesmente utilizar o termo “moderna”, de muito mais fácil compreensão? Passa da hora de aposentarmos os ósculos, amplexos, destras e outras expressões “jurássicas”. 


 Ou a gente acompanha os novos tempos ou vai ficando para trás, sob a pecha da alienação.

Não pretendemos aqui fazer a apologia das gírias, do modernismo inconsequente. 

Mesmo porque a palavra escrita ou falada na norma culta, dentro de uma relativa formalidade, é passaporte certo para a credibilidade.

 Mas precisamos repensar o nosso linguajar enquanto palestrantes e redatores espíritas, para que não nos escondamos numa espécie de dialeto esquisito que só leva à estagnação e ao isolamento. Se não devemos vulgarizar a palavra a pretexto de atingir a massa, tampouco devemos permanecer como se o tempo não tivesse passado para nós.

Se tudo o que mais almejamos é universalizar o conhecimento espírita, por que não utilizar uma linguagem mais coloquial e interessante? 

Desde que se tenha o zelo necessário para que não haja distorções no conteúdo doutrinário, por que não adaptar textos antigos para uma linguagem moderna, facilitando assim o seu entendimento às novas gerações e àqueles que têm maior limitação intelectual?

Alguns companheiros são resistentes às adaptações, por entender que a manutenção de termos difíceis provoca um enriquecimento da linguagem.

 Mas, imaginemos alguém, ainda engatinhando no conhecimento espírita, que, buscando consolo num momento de dor, se depara com uma linda e consoladora mensagem, porém, cheia de termos rebuscados, que exijam o uso do dicionário.

 Esta interrupção certamente esvaziará o impacto emocional do conteúdo, esfriando o coração do leitor ante a necessidade de parar e buscar tantos sinônimos. Emoção cortada, alma frustrada, objetivo perdido.

O nosso compromisso é com a formação espiritual e não acadêmica. Embora tenhamos o dever de nos expressar elegantemente e estimular doutrinariamente o aprimoramento do saber, contribuindo assim – e muito – também para a intelectualização do ser, o que precisamos entender é que, definitivamente, trabalhar aquisição de vocabulário e erudição não é a nossa prioridade. 

Nossa prioridade é esclarecer e consolar, com vistas ao progresso moral dos seres, e ninguém esclarece ou consola sem usar de clareza e simplicidade. Portanto, didaticamente, simplifiquemos a nossa fala, a nossa escrita, façamos o nosso papel de facilitadores das verdades espirituais e deixemos às escolas do mundo o papel que lhes cabe.

Sob pena de perdermos o trem da história, há uma contradição que precisa ser vencida pelo movimento espírita. Uma doutrina evolucionista por princípio não pode e não deve ficar parada no tempo. 

Termos novos são criados a todo o momento para coisas novas. Termos antigos são substituídos a todo instante por outras nomenclaturas. Caminhamos, hoje, para uma democratização do conhecimento.

 O que antes era privilégio de uma casta intelectual, agora é direito de todos. Isto significa distribuição mais justa da informação e oportunidades igualitárias, correspondendo aos ideais de justiça e igualdade defendidos pelo Espiritismo. Então, não faz sentido uma elitização que só retarda a colheita dos frutos semeados.

O mundo gira, o progresso está aí, e a lei é de evolução em todos os sentidos. Descomplicar é a palavra de ordem para quem quer “colocar a candeia sobre o alqueire”. Não há mais espaço para termos antiquados, que soam até mesmo de forma ridícula a quem os lê.

 É inadiável escolher. Ou continuamos a bater na tecla de uma erudição exibicionista a fim de, aqui mesmo, receber o galardão, ou optamos pela pedagogia simples de Jesus, cujas parábolas demonstram estratégia impar para alcançar o interesse e o entendimento daquela população ainda tão rudimentar, quanto às verdades espirituais que veio trazer.

Nesse momento difícil de transição, em que milhares de irmãos nossos precisam, desesperadamente, estabelecer um link emocional e cognitivo imediato com as verdades consoladoras do Espiritismo, não há mais lugar para comportamentos arraigados a tradições pueris.

Deixemos fluir a simplicidade culta que nos fará fiéis articuladores da verdadeira divulgação, aquela que de fato acontece, que dá resultados palpáveis, pois fala simultaneamente ao cérebro e à sensibilidade. 

Só assim estaremos cumprindo efetivamente o papel de colaboradores do mundo invisível, junto ao aprimoramento moral contínuo da sociedade na qual estamos inseridos, aqui e agora. 

Coloquemos em prática, na íntegra, as recomendações contidas no cap. XII, item 10, do ESE, à página “O Homem no Mundo”, que nos chama à realidade temporal em que vivemos na Terra, ao conclamar: 

“Vivei com os homens do vosso tempo, como devem viver os homens”.

E – há que se admitir – numa vida de inter-relação, respeito e comunicação fazem toda a diferença.

O consolador: Joanna Abranches