segunda-feira, 15 de abril de 2013


A morte numa 
perspectiva espírita 
  
A morte dos entes queridos continua sendo um dos momentos mais difíceis e dolorosos na vida das pessoas.

O sentimento de perda, em situações assim, é um fato frequente, muito embora os cristãos entendam, de um modo geral, que a vida continua e que, em essência, a morte não existe tal qual muitos a supõem.

Quando ocorreu, anos atrás, na capital de São Paulo o incêndio do edifício Joelma, em que morreram dezenas de pessoas, umas vitimadas pelo fogo, outras pela asfixia causada pela fumaça e um certo número por haverem pulado do edifício numa tentativa desesperada de fugir à morte, o médium Francisco Cândido Xavier serviu de intermediário à revelação de uma informação ao mesmo tempo curiosa e consoladora.

Os imortais disseram então, pelas mãos do saudoso médium, que naquelas horas difíceis dois eram os cenários.

O primeiro, do lado de cá, era constituído de muito sofrimento, de desespero, de gritos, de desesperança.

 A ação dos bombeiros, a movimentação dos repórteres, a busca de notícias por parte dos familiares dos que trabalhavam naquele prédio, tudo isso contribuía para dar ao episódio um caráter de tragédia, típico de situações como aquela.

O outro cenário, invisível aos nossos olhos, apresentava-se inteiramente diferente. 

 Espíritos amigos dos que ali pereceram recebiam com festa os que retornavam naquele momento à chamada vida espiritual. 

Cânticos de alegria, abraços calorosos e aplausos, eis o tom de um cenário que mostrava como se dá a recepção espiritual àqueles que cumprem até o fim o seu dever no plano corpóreo.

Comentando o tema morte, Kardec fez, em determinado momento, uma analogia entre esse fato e a libertação de um prisioneiro que acaba de cumprir uma longa pena.

Imaginemos, escreveu o Codificador, a situação do colega de cela que vê partir o amigo. 

É claro que ele sentirá saudade do companheiro, mas, em sã consciência, jamais lamentará a libertação do amigo que, atendidas as exigências da Justiça, ganha agora a liberdade.

A morte é isso. Ela é uma espécie de conquista da liberdade, a retomada de atividades que já eram executadas pela pessoa antes da existência ora finda e que agora podem ter continuidade.

Depois de peregrinar por muitos anos na crosta do planeta, limitado por um corpo material que restringe, como sabemos, as possibilidades perceptivas da alma, o indivíduo tem o direito, enfim, de reencontrar os amigos que o aguardam e dar sequência a um projeto cuja meta é a perfeição, assunto a que Jesus se referiu tantas vezes.

Com efeito, os cristãos que conhecem o Evangelho hão de lembrar-se, por certo, destas palavras do Mestre: “Vós sois deuses. Tudo o que faço podereis fazer também e muito mais”.

Diante do esquife, lembremo-nos, pois, da informação trazida pelo saudoso médium e estejamos certos de que a morte só atinge o corpo material mas nada ocasiona ao Espírito.

Morte é mudança de domicílio e de tarefas. Não há motivo real para lamentá-la, mesmo porque, excetuados os casos de suicídio voluntário ou involuntário, ninguém retorna à vida espiritual antes da hora. 

Pelo menos é isso que centenas de mensagens enviadas pelos próprios Espíritos têm dito a respeito do assunto.