kardec - o educador

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sexta-feira, 23 de outubro de 2015



                    E PARA ONDE VÃO OS POLÍTICOS

A conversa seguia animada, em saudável debate de ideias, após mais uma aula do Curso Básico de Espiritismo (gratuito, como qualquer atividade numa associação espírita). 

Falava-se da Lei de Causa e Efeito, onde cada um de nós, Espíritos eternos, colhemos nesta vida e após a morte do corpo de carne, de acordo com aquilo que semeamos no passado e no nosso hoje.

Já há 2 mil anos Jesus de Nazaré ensinara à humanidade tal Lei, ao referir que

 "A semeadura é livre mas a colheita é obrigatória", 

ensinando-nos que cada um de nós colherá, quer no mundo espiritual, quer em vidas futuras, de acordo com aquilo que tiver semeado no seu passado.

Na perspectiva da continuidade da vida para além da morte do corpo físico, aliás, conforme as evidências científicas de hoje apontam, é justo e lógico que assim seja, pois sendo Espíritos eternos, nós somos hoje o que fomos ontem e assim sucessivamente, já que a Natureza não dá saltos evolutivos. 

A evolução faz-se gradativamente, paulatinamente, daí a necessidade de trabalharmos o nosso mundo íntimo, de modo a que quando a Vida nos chamar para novo plano existencial (o plano espiritual), possamos fazer essa transição o mais serenamente possível, no que concerne ao nosso estado de alma, ao nosso íntimo.

Em meio à conversa, a pergunta estalou:

 "E os políticos para onde vão no mundo espiritual, aqueles que roubam o povo, que enganam, que recebem reformas chorudas?" (1)

Rimo-nos pela espontaneidade da pergunta sem maldade, bem como da sua atualidade.

Lembramo-nos de um fato passado com o Prof. Dr. Raul Teixeira, físico, professor universitário, espírita, conferencista de alto nível e médium de grandes recursos.

 Certo dia ia efetuar uma conferência numa cidade importante do Brasil e, ao dirigir-se para almoçar num restaurante, com os seus anfitriões, enquanto esperavam que o semáforo abrisse para atravessarem larga avenida, ele via uma mulher andrajosa ali ao lado, no caixote do lixo a procurar comida e a separar o lixo mais limpo do mais sujo. 

Tal cena causou-lhe tamanha impressão, que perdeu a vontade de almoçar, pese embora a necessidade de o fazer. 

Enquanto se tentava recompor mentalmente, já no restaurante, pensando naquele ser que nada tinha, e ele ali num restaurante com os seus amigos, apareceu-lhe, através do fenômeno da vidência espiritual, um Espírito amigo que o acompanha na sua tarefa doutrinária, que o acalmou, referindo que mesmo que fosse dar comida limpa àquela senhora ela recusaria. 

E o Espírito, em breves pinceladas contou a história daquela mulher, que nesta vida era a reencarnação de um famoso político brasileiro, ainda hoje muito conceituado, e que por ter prejudicado tanto o povo, tinha reencarnado numa condição miserável, devido ao mecanismo do complexo de culpa que fez, após a morte do corpo de carne, no mundo espiritual (onde não conseguimos esconder nada, nem de nós, nem dos outros), voltando numa condição miserável para aprender a valorizar aquilo que ele tanto desprezara na vida anterior: 

as dificuldades financeiras do próximo.

 Curiosamente, o nome desse famoso político estava afixado nesse local, dando nome à avenida, e essa mulher, por um mecanismo de fixação inconsciente, não largava aquele local onde outrora lhe prestaram grandes homenagens. 

 Não era um castigo divino, mas sim uma decorrência da Lei de Causa e Efeito, onde cada um colhe de acordo com os seus atos, pensamentos e sentimentos.

No mundo espiritual, e em futuras reencarnações, cada um 
colhe de acordo com o que semeou no seu passado. Assim
se justificam as dessemelhanças de sofrimentos
morais entre os homens

Sendo o Espiritismo uma ciência de observação e uma filosofia de consequências morais, cujos princípios têm vindo a ser confirmados por muitos cientistas que se dedicam à pesquisa do Espírito, como seria bem diferente o nosso planeta se todos aqueles que roubam, que enganam, que se aproveitam do poder que têm, que exploram os empregados conhecessem a reencarnação (hoje uma evidência científica), a imortalidade do Espírito e a comunicabilidade dos Espíritos.

Esse conhecimento dar-lhes-ia um novo rumo existencial, na certeza de que todos os nossos atos se repercutirão inevitavelmente sobre nós, para o bem ou para o mal, conforme a qualidade dos mesmos, nesta vida, no mundo espiritual e em vidas futuras.

Estudando e pesquisando o Espiritismo, qualquer pessoa pode aferir das mesmas descobertas, demonstrando assim a universalidade dos ensinamentos que os Espíritos deram.

Tentar escamotear a situação com um simples 

"eu não acredito nisso

não vai alterar a responsabilidade que cada um de nós tem sobre os seus pensamentos, sentimentos e atitudes.

Gostaríamos de poder responder, a quem nos questionou, que os políticos e todos os homens de poder no nosso planeta Terra se sentiriam felizes no mundo espiritual, ao sentirem o seu dever cumprido, em prol do povo que lideraram, com justiça, com lealdade. 

Mas, infelizmente, essa ainda não é a nossa realidade e também não será, com profunda pena nossa, a realidade futura dos atores políticos que nos governam na Terra, em futuras reencarnações, onde terão de reparar os seus erros e abusos com dolorosas expiações.
 
(1) Choruda - fem. de chorudo: Pop. Gordo, chorumento. Rendoso, rico.

BIOGRAFIA :
 Allan Kardec    ...Livro dos Espíritos



quinta-feira, 8 de outubro de 2015

                       Por que o socorro, às vezes, chega tarde?

Existe um fato que muito nos marcou e que contamos no jornal “O Imortal” no mês de maio de 2009. 

Como há histórias que sempre nos ensinam, vou tentar recontá-la.
No ano de 1997 atendíamos em um ambulatório clínico na cidade de Londrina e, frequentemente, éramos visitados por representantes de empresas produtoras de medicamentos que vinham divulgar os seus medicamentos ou fazer lançamentos de novos produtos.

Nessa época, um frequentador de nosso Núcleo Espírita experimentava um gravíssimo câncer de fígado, em fase terminal, o que despertava em nós, daquele grupo, um sincero desejo de ajudar.

Fizemos uma reunião e decidimos por visitá-lo, alternadamente, de maneira que ele não ficasse nem uma só semana sem a presença de alguém de nossa casa, para estimulá-lo, nessa hora difícil. 

Orávamos com ele enquanto aplicávamos passes magnéticos.

Certa sexta-feira, um desses representantes adentrou nosso consultório, bastante efusivo, dizendo estar ali para falar de importante lançamento: uma medicação antiespasmódica de profunda utilidade nas dores hepáticas, incluindo as causadas por câncer de fígado.

Imediatamente nos lembramos do amigo enfermo, e solicitamos algumas amostras, com a ideia de visitá-lo ainda naquela noite...

 O que não fizemos. Deixamos a visita para a outra semana, acreditando que alguém do grupo já estaria se desincumbindo dessa tarefa por aqueles dias.
Alguns dias depois, lembrando-nos de nosso dever para com nosso irmão, fomos até a casa do amigo.

 Logo na entrada, sua esposa, lavando a calçada, sem muita emoção nos avisou: -

“Nem adianta entrar, ele está muito magoado. Faz três dias que está em crise de dor e nada o alivia. Parou até de orar... porque diz não estar adiantando...”.
Pedimos, então, para que ela já fosse preparando o remédio novo enquanto nos dirigimos ao seu quarto. Ele estava de costas para a porta e, quando o cumprimentamos, mal respondeu, demonstrando profunda amargura. 

Tentamos um diálogo, meio sem sucesso, quando ele lentamente se virou para nós e disse:

 “Sabe, eu acho que Deus só cuida de seus filhos depois que vão para o lado de lá... Faz três dias que estou com essa dor insuportável, e apesar das minhas preces, nada de melhorar”.

Nesse momento, contamos para ele a história do remédio que carregávamos conosco e que já estava no porta-luvas do nosso carro há alguns dias e, no mesmo instante, sua esposa adentrava o recinto com uma xícara com água, já com o medicamento.

Num súbito, como quem sai de profunda dor e ilumina seus olhos com o retorno da esperança, ele, bastante sincero e agora sem o semblante da mágoa, lançou seu olhar sobre nós e disse:

 “Então não foi Deus quem se esqueceu de mim?... Foi você?”.

Sem ter como nos desculpar, rimos por ver sua alegria voltar e completamos:

-“Pois é, meu irmão, veja com quem Deus tem que contar para socorrer seus filhos. 
Por isso é que o socorro às vezes chega tarde. 

Não é pela ausência da piedade paterna, mas pela falta da caridade dos cristãos de hoje”.

Abraçamos-nos, com muito cuidado, porque o estado dele era muito frágil. Em poucos dias ele desencarnou, deixando comigo uma profunda reflexão.