kardec - o educador

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domingo, 28 de julho de 2013


 
Sexo nos Espíritos: o pensamento de Kardec

Discute-se, em nosso movimento espírita, a respeito da sexualidade dos Espíritos desencarnados. Se eles mantêm a forma humana, então conservam o gênero masculino ou feminino? 
Há entre eles relação sexual?  E se existe esse tipo de relação, podem reproduzir-se, no além?
Allan Kardec ocupou-se dessa temática e teve oportunidade de apresentar suas ideias de forma didática e esclarecedora. Sem desconsiderar opiniões de outros autores (encarnados ou desencarnados) valemo-nos, neste estudo, das ideias do mestre Kardec, Codificador da Doutrina Espírita.
Na resposta ao item 822-a de O Livro dos Espíritos, os Benfeitores grafaram o seguinte: Os sexos só existem na organização física, pois os Espíritos podem tomar um e outro, não havendo diferenças entre eles a esse respeito.
Anteriormente, nos itens 200 a 202 da obra citada eles haviam dito que os sexos dependem da constituição orgânica (item 200), que o Espírito que animou o corpo de um homem pode animar o de uma mulher em uma nova existência, pois são os mesmos Espíritos que animam os homens e as mulheres (item 201) e que quando somos Espíritos preferimos encarnar num corpo de homem ou de mulher dependendo das provas que tivermos de sofrer (item 202).
Pelo dito, fica claro que os Espíritos não possuem polaridade sexual, gênero masculino/feminino, sendo, nesse particular, assexuados. Tal constatação, todavia, pode levantar o seguinte questionamento: como então, nas obras mediúnicas, ou nas sessões de intercâmbio com os desencarnados eles se apresentam com a forma masculina e feminina, até mesmo enamorados uns dos outros ou eventualmente vivendo juntos na condição de esposos?
A excelente explicação vem pelo codificador, em ensaio publicado na Revista Espírita, janeiro de 1866, página 4: Sofrendo o Espírito encarnado a influência do organismo, seu caráter se modifica conforme as circunstâncias e se dobra às necessidades e exigências impostas pelo mesmo organismo. Esta influência não se apaga imediatamente após a destruição do invólucro material, assim como não perde instantaneamente os gostos e hábitos terrenos. Depois, pode acontecer que o Espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, o que faz que, durante muito tempo, possa conservar, no estado de Espírito, o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa. Somente quando chegado a certo grau de adiantamento e de desmaterialização é que a influência da matéria se apaga completamente e, com ela, o caráter dos sexos.
Importa considerar que as descrições do Mundo dos Espíritos que recebemos via mediúnica referem-se a regiões muito próximas da crosta terrestre, habitadas por Espíritos ainda muito materializados, segundo refere Kardec, no texto acima. Quase nenhuma referência possuímos da vida dos Espíritos em esferas superiores. (Uma referência breve vamos identificar em Nosso Lar, no capitulo “O sonho”, quando André Luiz, em corpo mental, visita sua mãe em uma esfera acima daquela onde se encontra a colônia citada descrita no livro.) Nas esferas próximas da crosta há absoluta prevalência de Espíritos de evolução primária, que, em sua maioria, nem se dão conta da desencarnação, nutrindo apetites e ansiando vivências similares às da Terra.
No Livro dos Médiuns, item 74, Kardec escreveu: Nos Espíritos inferiores (seu perispírito) aproxima-se da matéria e é isso que determina a persistência das ilusões da vida terrena nas entidades de baixa categoria, que pensam e agem como se ainda estivessem na vida física, tendo os mesmos desejos e quase poderíamos dizer a mesma sensualidade.
Isso poderia explicar os relatos mediúnicos sobre Espíritos atormentados pelas emoções sexuais, verdadeiros vampiros da sexualidade de encarnados imprevidentes. Impossibilitados de saciarem sua libido, se acoplam magneticamente a casais com os quais sintonizam, todos eles igualmente com a sexualidade destrambelhada, absorvendo as emanações psíquicas liberadas durante a relação sexual.
É curioso observarmos que Kardec, no ensaio citado anteriormente (Revista Espírita, janeiro de 1866) admite a hipótese de uma inversão da libido desencadeada pela reencarnação em um corpo físico que não corresponde à psicologia do Espírito, que vinha vivenciando muitas existências em apenas uma polaridade sexual (masculina ou feminina). Tal ocorrência poderia explicar alguns casos da homossexualidade. Confira o texto original: Se essa influencia se repercute da vida corporal à vida espiritual, o mesmo se dá quando o Espírito passa da vida espiritual para a corporal. Numa nova encarnação trará o caráter e as inclinações que tinha como Espírito. Mudando de sexo, poderá, então, sob essa impressão e em sua nova encarnação, conservar os gostos, as inclinações e o caráter inerente ao sexo que acaba de deixar. Assim se explicam certas anomalias aparentes, notadas no caráter de certos homens e de certas mulheres.
Mas afinal, os Espíritos desencarnados fazem sexo, ou seja, existem relações sexuais entre eles? As descrições do modo de vida na erraticidade se reportam a Espíritos dormindo, se alimentando, namorando... mas intercurso sexual ocorre ou não?
A resposta é não, segundo o pensamento de Allan Kardec.
Em duas oportunidades, ambas registradas na Revista Espírita, Kardec expõe suas ideias de maneira indiscutível.
Na Revista Espírita de junho de 1862, após dialogo instrutivo com uma entidade que pertencera à Sociedade Parisiense, Kardec escreve: Os sexos só são necessários para a reprodução dos corpos; porque os Espíritos não se reproduzem, o sexo lhes seria inútil.
Ainda na Revista Espírita, janeiro de 1866, Kardec volta ao tema com o mesmo posicionamento: As almas ou Espíritos não têm sexo. As afeições que os unem nada têm de carnal e, por isso mesmo, são mais duráveis, porque fundadas numa simpatia real e não são subordinadas às vicissitudes da matéria. Os sexos só existem no organismo. São necessários à reprodução dos seres materiais. Mas os Espíritos, sendo criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros, razão por que os sexos seriam inúteis no mundo espiritual.
Admite o codificador que há entre eles amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos (O Livro dos Espíritos, item 200).
E, finalmente, examinando o sofrimento advindo das paixões inferiores, Kardec reproduz em O Livro dos Espíritos o seguinte pensamento dos Benfeitores: Embora as paixões não existam materialmente, ainda persistem no pensamento dos Espíritos atrasados (item 972). Referindo-se à impossibilidade do intercurso sexual entre eles, comenta que esse tipo de paixão causa suplício no espírito devasso que vê as orgias de que não pode participar (item 972-a).
O tema é complexo e está aberto a novas contribuições. Esperamos ter colaborado para o debate, ao apresentar a linha de pensamento de Kardec.


Discute-se, em nosso movimento espírita, a respeito da sexualidade dos Espíritos desencarnados. Se eles mantêm a forma humana, então conservam o gênero masculino ou feminino? Há entre eles relação sexual?  E se existe esse tipo de relação, podem reproduzir-se, no além?
Allan Kardec ocupou-se dessa temática e teve oportunidade de apresentar suas ideias de forma didática e esclarecedora. Sem desconsiderar opiniões de outros autores (encarnados ou desencarnados) valemo-nos, neste estudo, das ideias do mestre Kardec, Codificador da Doutrina Espírita.
Na resposta ao item 822-a de O Livro dos Espíritos, os Benfeitores grafaram o seguinte: Os sexos só existem na organização física, pois os Espíritos podem tomar um e outro, não havendo diferenças entre eles a esse respeito.
Anteriormente, nos itens 200 a 202 da obra citada eles haviam dito que os sexos dependem da constituição orgânica (item 200), que o Espírito que animou o corpo de um homem pode animar o de uma mulher em uma nova existência, pois são os mesmos Espíritos que animam os homens e as mulheres (item 201) e que quando somos Espíritos preferimos encarnar num corpo de homem ou de mulher dependendo das provas que tivermos de sofrer (item 202).
Pelo dito, fica claro que os Espíritos não possuem polaridade sexual, gênero masculino/feminino, sendo, nesse particular, assexuados. Tal constatação, todavia, pode levantar o seguinte questionamento: como então, nas obras mediúnicas, ou nas sessões de intercâmbio com os desencarnados eles se apresentam com a forma masculina e feminina, até mesmo enamorados uns dos outros ou eventualmente vivendo juntos na condição de esposos?
A excelente explicação vem pelo codificador, em ensaio publicado na Revista Espírita, janeiro de 1866, página 4: Sofrendo o Espírito encarnado a influência do organismo, seu caráter se modifica conforme as circunstâncias e se dobra às necessidades e exigências impostas pelo mesmo organismo. Esta influência não se apaga imediatamente após a destruição do invólucro material, assim como não perde instantaneamente os gostos e hábitos terrenos. Depois, pode acontecer que o Espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, o que faz que, durante muito tempo, possa conservar, no estado de Espírito, o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa. Somente quando chegado a certo grau de adiantamento e de desmaterialização é que a influência da matéria se apaga completamente e, com ela, o caráter dos sexos.
Importa considerar que as descrições do Mundo dos Espíritos que recebemos via mediúnica referem-se a regiões muito próximas da crosta terrestre, habitadas por Espíritos ainda muito materializados, segundo refere Kardec, no texto acima. Quase nenhuma referência possuímos da vida dos Espíritos em esferas superiores. (Uma referência breve vamos identificar em Nosso Lar, no capitulo “O sonho”, quando André Luiz, em corpo mental, visita sua mãe em uma esfera acima daquela onde se encontra a colônia citada descrita no livro.) Nas esferas próximas da crosta há absoluta prevalência de Espíritos de evolução primária, que, em sua maioria, nem se dão conta da desencarnação, nutrindo apetites e ansiando vivências similares às da Terra.
No Livro dos Médiuns, item 74, Kardec escreveu: Nos Espíritos inferiores (seu perispírito) aproxima-se da matéria e é isso que determina a persistência das ilusões da vida terrena nas entidades de baixa categoria, que pensam e agem como se ainda estivessem na vida física, tendo os mesmos desejos e quase poderíamos dizer a mesma sensualidade.
Isso poderia explicar os relatos mediúnicos sobre Espíritos atormentados pelas emoções sexuais, verdadeiros vampiros da sexualidade de encarnados imprevidentes. Impossibilitados de saciarem sua libido, se acoplam magneticamente a casais com os quais sintonizam, todos eles igualmente com a sexualidade destrambelhada, absorvendo as emanações psíquicas liberadas durante a relação sexual.
É curioso observarmos que Kardec, no ensaio citado anteriormente (Revista Espírita, janeiro de 1866) admite a hipótese de uma inversão da libido desencadeada pela reencarnação em um corpo físico que não corresponde à psicologia do Espírito, que vinha vivenciando muitas existências em apenas uma polaridade sexual (masculina ou feminina). Tal ocorrência poderia explicar alguns casos da homossexualidade. Confira o texto original: Se essa influencia se repercute da vida corporal à vida espiritual, o mesmo se dá quando o Espírito passa da vida espiritual para a corporal. Numa nova encarnação trará o caráter e as inclinações que tinha como Espírito. Mudando de sexo, poderá, então, sob essa impressão e em sua nova encarnação, conservar os gostos, as inclinações e o caráter inerente ao sexo que acaba de deixar. Assim se explicam certas anomalias aparentes, notadas no caráter de certos homens e de certas mulheres.
Mas afinal, os Espíritos desencarnados fazem sexo, ou seja, existem relações sexuais entre eles? As descrições do modo de vida na erraticidade se reportam a Espíritos dormindo, se alimentando, namorando... mas intercurso sexual ocorre ou não?
A resposta é não, segundo o pensamento de Allan Kardec.
Em duas oportunidades, ambas registradas na Revista Espírita, Kardec expõe suas ideias de maneira indiscutível.
Na Revista Espírita de junho de 1862, após dialogo instrutivo com uma entidade que pertencera à Sociedade Parisiense, Kardec escreve: Os sexos só são necessários para a reprodução dos corpos; porque os Espíritos não se reproduzem, o sexo lhes seria inútil.
Ainda na Revista Espírita, janeiro de 1866, Kardec volta ao tema com o mesmo posicionamento: As almas ou Espíritos não têm sexo. As afeições que os unem nada têm de carnal e, por isso mesmo, são mais duráveis, porque fundadas numa simpatia real e não são subordinadas às vicissitudes da matéria. Os sexos só existem no organismo. São necessários à reprodução dos seres materiais. Mas os Espíritos, sendo criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros, razão por que os sexos seriam inúteis no mundo espiritual.
Admite o codificador que há entre eles amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos (O Livro dos Espíritos, item 200).
E, finalmente, examinando o sofrimento advindo das paixões inferiores, Kardec reproduz em O Livro dos Espíritos o seguinte pensamento dos Benfeitores: Embora as paixões não existam materialmente, ainda persistem no pensamento dos Espíritos atrasados (item 972). Referindo-se à impossibilidade do intercurso sexual entre eles, comenta que esse tipo de paixão causa suplício no espírito devasso que vê as orgias de que não pode participar (item 972-a).
O tema é complexo e está aberto a novas contribuições. Esperamos ter colaborado para o debate, ao apresentar a linha de pensamento de Kardec.

Ricardo Baesso de Oliveira - O Consolador



sábado, 27 de julho de 2013


DIAS DIFICEIS          
 
 
Há dias que parece não ter sido feitos para ti.
Amontoam-se tantas dificuldades, inúmeras frustrações e incontáveis aborrecimentos, que chegas a pensar que conduzes o globo do mundo sobre os ombros dilacerados.
Desde cedo, ao te ergueres do leito, pela manhã, encontras a indisposição moral do companheiro ou da companheira, que te arremessa todos os espinhos que o mau humor conseguiu acumular ao longo da noite.
Sentes o travo do fel despejado em tua alma, mas crês que tudo se modificará nos momentos seguintes.
Sais à rua, para atender a esse ou àquele compromisso cotidiano, e te defrontas com a agrestia de muitos que manejam veículos nas vias públicas e que os convertem em armas contra os outros; constatas o azedume do funcionário ou do balconista que te atende mal, ou vês o cinismo de negociantes que anseiam por te entregar produtos de má qualidade a preços exorbitantes, supondo-te imbecil. Mesmo assim, admites que, logo, tudo se alterará, melhorando as situações em torno.
Encontras-te com familiares ou pessoas amigas que te derramam sobre a mente todo o quadro dos problemas e tragédias que vivenciam, numa enxurrada de tormentos, perturbando a tua harmonia ainda frágil, embora não te permitam desabafar as tuas angústias, teus dramas ou tuas mágoas represadas na alma. Em tais circunstâncias, pensas que deves aguardar que essas pessoas se resolvam com a vida até um novo encontro.
São esses os dias em que as palavras que dizes recebem negativa interpretação, o carinho que ofereces é mal visto, tua simpatia parece mero interesse, tuas reservas são vistas como soberba ou má vontade. Se falas, ou se calas, desagradas.
Em dias assim, ainda quando te esforces por entender tudo e a todos, sofres muito e a costumeira tendência, nessas ocasiões, é a da vitimação automática, quando se passa a desenvolver sentimentos de autopiedade.
No entanto, esses dias infelizes pedem-nos vigilância e prece fervorosa, para que não nos percamos nesses cipoais de pensamentos, de sentimentos e de atitudes perturbadores.
São dias de avaliação, de testes impostos pelas regentes leis da vida terrena, desejosas de que te observes e verifiques tuas ações e reações à frente das mais diversas situações da existência.
Quando perceberes que muita coisa à tua volta passa a emitir um som desarmônico aos teus ouvidos; se notares que escolhendo direito ou esquerdo não escapas da ácida crítica, o teu dever será o de te ajustares ao bom senso. Instrui-te com as situações e acumula o aprendizado das horas, passando a observar bem melhor as circunstâncias que te cercam, para que melhor entendas, para que, enfim, evoluas.
Não te olvides de que ouvimos a voz do Mestre Nazareno, há distanciados dois milênios, a dizer-nos: No mundo só tereis aflições...
Conhecedores dessa realidade, abrindo a alma para compreender que a cada dia basta o seu mal..., tratarás de te recompor, caso tenhas te deixado ferir por tantos petardos, quando o ideal teria sido agir como o bambuzal diante da ventania. Curvar-se, deixar passar o vendaval, a fim de te reergueres com tranqüilidade, passado o momento difícil.
Há, de fato, dias difíceis, duros, caracterizando o teu estádio de provações indispensáveis ao teu processo de evolução. A ti, porém, caberá erguer a fronte buscando o rumo das estrelas formosas, que ao longe brilham, e agradecer a Deus por poderes afrontar tantos e difíceis desafios, mantendo-te firme, mesmo assim.
Nos dias difíceis da tua existência, procura não te entregares ao pessimismo, nem ao lodo do derrotismo, evitando alimentar todo e qualquer sentimento de culpa, que te inspirariam o abandono dos teus compromissos, o que seria teu gesto mais infeliz.
Põe-te de pé, perante quaisquer obstáculos, e sê fiel aos teus labores, aos deveres de aprender, servir e crescer, que te trouxeram novamente ao mundo terrestre.
Se lograres a superação suspirada, nesses dias sombrios para ti, terás vencido mais um embate no rol dos muitos combates que compõem a pauta da guerra em que a Terra se encontra engolfada.
Confia na ação e no poder da luz, que o Cristo representa, e segue com entusiasmo para a conquista de ti mesmo, guardando-te em equilíbrio, seja qual for ou como for cada um dos teus dias.
Sentes o travo do fel despejado em tua alma, mas crês que tudo se modificará nos momentos seguintes.
Sais à rua, para atender a esse ou àquele compromisso cotidiano, e te defrontas com a agrestia de muitos que manejam veículos nas vias públicas e que os convertem em armas contra os outros; constatas o azedume do funcionário ou do balconista que te atende mal, ou vês o cinismo de negociantes que anseiam por te entregar produtos de má qualidade a preços exorbitantes, supondo-te imbecil. Mesmo assim, admites que, logo, tudo se alterará, melhorando as situações em torno.
Encontras-te com familiares ou pessoas amigas que te derramam sobre a mente todo o quadro dos problemas e tragédias que vivenciam, numa enxurrada de tormentos, perturbando a tua harmonia ainda frágil, embora não te permitam desabafar as tuas angústias, teus dramas ou tuas mágoas represadas na alma. Em tais circunstâncias, pensas que deves aguardar que essas pessoas se resolvam com a vida até um novo encontro.
São esses os dias em que as palavras que dizes recebem negativa interpretação, o carinho que ofereces é mal visto, tua simpatia parece mero interesse, tuas reservas são vistas como soberba ou má vontade. Se falas, ou se calas, desagradas.
Em dias assim, ainda quando te esforces por entender tudo e a todos, sofres muito e a costumeira tendência, nessas ocasiões, é a da vitimação automática, quando se passa a desenvolver sentimentos de autopiedade.
No entanto, esses dias infelizes pedem-nos vigilância e prece fervorosa, para que não nos percamos nesses cipoais de pensamentos, de sentimentos e de atitudes perturbadores.
São dias de avaliação, de testes impostos pelas regentes leis da vida terrena, desejosas de que te observes e verifiques tuas ações e reações à frente das mais diversas situações da existência.
Quando perceberes que muita coisa à tua volta passa a emitir um som desarmônico aos teus ouvidos; se notares que escolhendo direito ou esquerdo não escapas da ácida crítica, o teu dever será o de te ajustares ao bom senso. Instrui-te com as situações e acumula o aprendizado das horas, passando a observar bem melhor as circunstâncias que te cercam, para que melhor entendas, para que, enfim, evoluas.
Não te olvides de que ouvimos a voz do Mestre Nazareno, há distanciados dois milênios, a dizer-nos: No mundo só tereis aflições...
Conhecedores dessa realidade, abrindo a alma para compreender que a cada dia basta o seu mal..., tratarás de te recompor, caso tenhas te deixado ferir por tantos petardos, quando o ideal teria sido agir como o bambuzal diante da ventania. Curvar-se, deixar passar o vendaval, a fim de te reergueres com tranqüilidade, passado o momento difícil.
Há, de fato, dias difíceis, duros, caracterizando o teu estádio de provações indispensáveis ao teu processo de evolução. A ti, porém, caberá erguer a fronte buscando o rumo das estrelas formosas, que ao longe brilham, e agradecer a Deus por poderes afrontar tantos e difíceis desafios, mantendo-te firme, mesmo assim.
Nos dias difíceis da tua existência, procura não te entregares ao pessimismo, nem ao lodo do derrotismo, evitando alimentar todo e qualquer sentimento de culpa, que te inspirariam o abandono dos teus compromissos, o que seria teu gesto mais infeliz.
Põe-te de pé, perante quaisquer obstáculos, e sê fiel aos teus labores, aos deveres de aprender, servir e crescer, que te trouxeram novamente ao mundo terrestre.
Se lograres a superação suspirada, nesses dias sombrios para ti, terás vencido mais um embate no rol dos muitos combates que compõem a pauta da guerra em que a Terra se encontra engolfada.
Confia na ação e no poder da luz, que o Cristo representa, e segue com entusiasmo para a conquista de ti mesmo, guardando-te em equilíbrio, seja qual for ou como for cada um dos teus dias.


Raul Treixeira

quarta-feira, 24 de julho de 2013



           Dar de graça o que de
                graça recebemos

   “Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expeli os demônios; dai de graça o que de graça recebestes.” (Jesus – Mateus, X: 8.)


O que de graça recebemos da Providência Divina é a mediunidade e é a essa faculdade que Jesus se referiu quando informou nossa obrigação de dar de graça o que de graça recebemos.

A mediunidade é inerente ao ser humano, com maior ou menor intensidade todos nós a possuímos. Trata-se da possibilidade que temos de entrar em contato com o mundo espiritual, mais propriamente com os Espíritos, essa “multidão de testemunhas que nos cerca”, como bem sentenciou Paulo de Tarso.
 
Uma vez que a morte verdadeiramente não existe, pois o que morre é somente o corpo, sendo que continuamos a viver em outra dimensão, a espiritual, é muito natural que entre os que estão vivendo num corpo físico e aqueles que estão fora dele haja o desejo e o interesse em manter contatos, pois que o vínculo entre aqueles que se amam permanece.                
 
A morte física não é capaz de matar o amor, a afinidade e a sintonia que mantêm ligados os que se buscam pelos laços da afetividade.
 
Assim sendo, pela mediunidade, os “vivos” da Terra se comunicam com os “vivos” do mundo espiritual e nisso vemos a grandeza, o esclarecimento e o consolo que as Leis Divinas proporcionam aos homens.
 
Portanto, fazendo uso da mediunidade, nas suas mais variadas formas, conforme podemos verificar em “O Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec, temos imensas possibilidades de ajudar aqueles que caminham conosco pelas longas e muitas vezes pedregosas estradas da vida. Isso, obviamente, sem segundas intenções, sem interesses materiais, sem cobrar coisa alguma.
 
Aquele que conta com força magnética e com a ajuda dos bons Espíritos possui condições de socorrer enfermos, faça isso por amor à humanidade, se propondo, de forma desprendida, a aliviar a dor e os padecimentos daqueles que sofrem neste mundo.
 
Aquele que possui a palavra fácil e a inteligência desenvolvida, com o auxílio dos benfeitores da espiritualidade, divulgue a verdade, fale sobre as lições imorredouras de Jesus Cristo, espalhando consolo e esperança por onde andar.
 
Aquele que escreve com agilidade e competência, contando com a presença de emissários de Deus, produza páginas de orientação, de esclarecimento e contribua para a elevação cultural do povo, pois o Cristo, sabendo dessa necessidade, disse: “conhecereis a verdade e ela vos libertará”. (Jesus – João *: 32.)
 
Aquele que tem mãos ágeis e coração sensível, estimulado pela ação amorosa dos “amigos de mais além”, produza alguma peça ou realize algum serviço que possa atender às necessidades dos irmãos que passam pela vida em situação de carência e penúria, observando principalmente crianças, adolescentes e jovens que caminham, muitas vezes, sem perspectivas para o futuro.
 
De graça recebemos o incentivo e os recursos oriundos da Providência Divina, nas mais variadas formas, e, de graça, devemos distribuí-los em nosso derredor. 
               
Quem procurar por qualquer benefício ou favorecimento pela distribuição das dádivas que vêm de Deus, por agir na contramão dos ensinamentos cristãos, responderá, mais cedo ou mais tarde, perante o tribunal da própria consciência e amargará o peso doloroso do reflexo da irresponsabilidade cultivada.
 
Doemos de graça o que de graça recebemos, sem qualquer interesse pessoal...
 
Esse é o caminho.            Reflitamos...

Waldenir Aparecido Cuin - O consolador
 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

AS MARIAS DO EVANGELHO


                  As Marias  do   Evangelho

 
Maria, irmã de Moisés - Antes de falarmos sobre as Marias, cujas atuações estão registradas no Novo Testamento,  é interessante referirmo-nos a Maria (Miryam, em hebraico) – irmã de Moisés e  Aarão, que teve importante participação como heroína carismática de seu povo, tendo sido a primeira mulher a receber o título de profetisa.

Quando o menino Moisés foi deixado flutuando num cesto de junco pela sua mãe, Jocabel, e recolhido pela princesa Termútis, filha do faraó Ramsés II, Maria ofereceu-se para encontrar uma babá hebreia, que outra não foi senão a própria Jocabel, 
 paga para cuidar do próprio filho até o seu desmame, devolvendo-o depois à filha do Faraó, que o criou.

Maria, mãe de Jesus – Espírito de elevadas virtudes, Maria foi a mãe carnal de Jesus. De  condições humildes,  era  extremamente dedicada. Maria nasceu na cidade de Nazaré, na Galileia. Era parente de Isabel, a mãe de João Batista, que nasceu seis meses antes de Jesus. 

No último capítulo do livro
 Boa Nova (FEB), Humberto de Campos, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, informa que, no ato da crucificação, quando Jesus disse: "Mãe, eis aí teu filho!...”, "Filho, eis aí tua mãe!", estava se referindo a Maria de Nazaré e a João Evangelista.

Após a crucificação, Maria e João  estabeleceram-se em Éfeso. Maria falava de Jesus com sublime enternecimento e João comentava as verdades evangélicas. Muitas vezes, a reunião terminava alta noite, quando as estrelas tinham maior brilho. Grande número de necessitados procurava o local.

Sua choupana era conhecida como "Casa da Santíssima", porque, em certa ocasião, um leproso, depois de aliviadas as suas chagas, beijou-lhe as mãos e, em reconhecimento, disse: "Senhora, sois a mãe do nosso Mestre e nossa Mãe Santíssima". 

Conta Humberto de Campos que, após a  desencarnação, Jesus foi buscá-la: "Sim, minha mãe, sou eu!... Venho buscar-te, pois meu Pai quer que sejas no meu reino a Rainha dos Anjos...".

Maria desejou rever a Galileia, bastando a manifestação de sua vontade para que a conduzissem à região do lago de Genesaré, onde reviu todos os quadros do apostolado de seu filho; notou que o Tiberíades apresentava a forma quase perfeita de um alaúde.

Aproximou-se dos mártires, os cristãos que, por amor aos ensinamentos de Jesus, foram condenados a morrer sob as garras dos leões. Foi quando, aproximando-se de uma jovem encarcerada, lhe disse ao ouvido: "Canta, minha filha! Tenhamos bom ânimo!... Convertamos as nossas dores da Terra em alegrias para o Céu...". A prisioneira nunca saberia compreender o motivo da emotividade que lhe fez vibrar subitamente o coração.

Maria de Betânia – Irmã de Marta e de Lázaro. Natural de Betânia. Todas as vezes em que ia a essa aldeia, Jesus hospedava-se em sua casa. Numa dessas visitas, assentou-se aos pés do Mestre e quis ouvir suas palavras. Marta, preocupada com os trabalhos do lar, perguntou a Jesus se não lhe parecia que Maria deveria ajudá-la, ao que ele respondeu que Maria havia escolhido a boa parte, a qual não lhe seria mais tirada.

Certa vez, quando Jesus estava em Betânia, na casa de Simão, o leproso, aproximou-se Maria, que portava um vaso de alabastro com unguento de grande valor, e, quando ele estava à mesa, derramou o unguento sobre a cabeça do Mestre. Judas Iscariotes 
 reclamou do que ele classificou de desperdício, pois o unguento poderia ser vendido e o dinheiro poderia ser entregue aos pobres.

Jesus perguntou por que Judas a afligia, quando ela praticou uma boa ação para com Jesus. E, enquanto os apóstolos tinham sempre com eles os pobres, a ele não haveriam de ter sempre, e, onde quer que o Evangelho fosse pregado, em todo o mundo, também haveria de ser referido o que ela fez, para memória dela.

Maria de Magdala – Sua cidade de origem era Magdala, povoado situado na margem ocidental do lago da Galileia. Também chamado de Dalmanuta.

Dotada de grande beleza, vestia-se ricamente. Jesus expeliu sete Espíritos obsessores que a atormentavam. Dali por diante, Maria passou a ser uma das suas mais assíduas seguidoras. Após a crucificação, foi a primeira pessoa para quem Jesus apareceu.
 
Maria Madalena não foi a adúltera apontada no Evangelho. Ela era uma cortesã e, não sendo casada, não poderia ter sido adúltera. Era uma mulher de posição social alta e não a prostituta que se diz que  ela era.

Maria de Cleofas – Era prima-irmã de Maria de Nazaré. Esposa de Alfeu de Klopas. Foi mãe de Tiago Menor, Simão Cananeu e Judas Tadeu.

Segundo os evangelistas Marcos e João, Maria de Cleofas esteve presente, juntamente com Maria de Nazaré e Maria de Magdala no ato da crucificação de Jesus.        

Maria, mãe de Marcos – Sua casa, situada num bairro pobre, isolado,  de Jerusalém, era local de encontro dos primeiros cristãos. Provavelmente, Maria era uma viúva rica, pois tinha muitos servos. Sua casa era suficientemente grande para os cristãos se reunirem. Pedro voltou para a casa dela após a libertação miraculosa da prisão.
 
Altemirando Carneiro - o consolador 



 
 



sexta-feira, 19 de julho de 2013



                                      Como somos?


Somos um povo curioso e, muitas vezes, até hilário. Se não, vejamos. Quando temos uma carga de transporte acidentada nas estradas, nós saqueamos os produtos. É muito comum estacionarmos em calçadas, vagas de deficientes e muitas vezes debaixo de placas proibitivas, sem contar o número de vezes que entramos na contramão.

Quando cometemos uma infração é comum tentarmos subornar o agente da punição. Também trocamos votos por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, dentaduras e até camisetas. Falamos ao celular enquanto dirigimos. Se nos encontramos em um congestionamento, trafegamos no acostamento. Paramos em filas duplas, triplas em frente às escolas. É frequente violarmos a lei do silêncio. Haja vista os estabelecimentos que não respeitam a vizinhança. A panificadora, de onde sou vizinho, não respeita isso, com equipamentos muito barulhentos, apesar de já termos pedido diversas vezes para isso ser revisto. Comprei um tampão de ouvidos para poder dormir.

Também dirigimos após consumir bebidas alcoólicas, sem contar o mais grave, os estabelecimentos comerciais não respeitam a lei que proíbe a venda de cigarros e bebidas alcoólicas para menores de dezoito anos, além de espalharem mesas e churrasqueiras pelas calçadas, onde não podemos transitar. Mais grave ainda, os poderes legalmente instituídos não fiscalizam adequadamente tal desrespeito. Pegamos atestados médicos sem estarmos doentes. E a nossa saúde, então?

Vilipendiamos o que podemos, furando filas com interferências de amigos que trabalham na rede pública, em prejuízo do mais necessitado ou carente. Como ensinou o médico Adib Jatene (que já foi ministro da saúde): “Pobre só tem amigo pobre”, portanto, sem condições de que alguém faça por ele alguma coisa, pois os que furam filas na saúde são sempre pessoas que têm amigos lá dentro do sistema, e o pobre, infeliz e sofredor, não tem essa condição, pois só tem amigo pobre...

Fazemos gato de luz, de água e de TV a cabo. E a pirataria na internet? Registramos imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, só para pagar menos impostos, pois não confiamos em nossos governantes quanto ao que farão com nosso dinheiro em razão de tanta corrupção existente. Compramos recibos para abater na declaração do imposto de renda... Temos tentativas de pessoas mudando a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas. Se viajarmos pela empresa, se o almoço custou dez, pedimos nota de vinte reais.

Recentemente, o CQC – programa de televisão – provou por reportagens a desonestidade do pessoal da prefeitura de Barueri-SP, que recebeu uma TV de plasma para ser doada a uma escola daquela cidade e uma funcionária levou a TV para casa. Quando vamos vender um carro velho, adulteramos o velocímetro como se fosse pouco rodado. Diminuímos a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar a passagem.

Emplacamos o carro fora do nosso domicílio para pagar menos IPVA, pois o nosso é muito caro. Frequentamos caça-níqueis e fazemos uma fezinha nos diversos jogos que existem no país, além, é claro, do velho jogo de bicho. Levamos das empresas onde trabalhamos pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis etc., como se isso não fosse roubo. Comercializamos os vales-refeição e vales-transportes que recebemos das empresas. Também falsificamos tudo, especialmente os jovens menores  de 18 anos que querem um RG de adulto.

Só não falsificamos o que ainda não foi inventado. É o velho jeitinho de sempre. Os que viajam para o exterior nunca dizem a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem. Muito raramente alguém, quando encontra um objeto perdido, especialmente se for uma mala ou carteira recheada de dólares, procura ou devolve para o seu dono...

Querido (o) leitor (a), a lista é imensa. Vamos parar por aqui com a seguinte reflexão: Ainda queremos que os políticos sejam honestos? Brasileiro reclama do quê? Esses políticos que aí estão saíram de onde? Claro, do meio do povo.

Falamos tanto da necessidade em deixar um planeta melhor para os nossos filhos e nos esquecemos da urgência de criarmos filhos melhor educados, honestos, dignos, éticos e responsáveis para o nosso planeta, através dos nossos exemplos… É a mais pura verdade e isso que é o pior. Vamos dar bons exemplos. Sermos dignos e de uma ética responsável.

Tal reflexão nos remete à moral dos Espíritos que, segundo O Livro dos Espíritos (Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, item VI): “A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o bem e não o mal. Neste princípio encontra o homem uma regra universal de proceder, mesmo para as suas menores ações. Ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que, já neste mundo, se desliga da matéria, desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo, se avizinha da natureza espiritual; que cada um deve tornar-se útil, de acordo com as faculdades e os meios que Deus lhe pôs nas mãos para experimentá-lo; que o Forte e o Poderoso devem amparo e proteção ao Fraco, porquanto transgride a Lei de Deus aquele que abusa da força e do poder para oprimir o seu semelhante. Ensinam, finalmente, que, no mundo dos Espíritos, nada podendo estar oculto, o hipócrita será desmascarado e patenteadas todas as suas torpezas; que a presença inevitável, e de todos os instantes, daqueles para com quem houver procedido mal constitui um dos castigos que nos estão “reservados”; que ao estado de inferioridade e superioridade dos Espíritos correspondem penas e gozos desconhecidos na Terra”.

Vamos eleger políticos melhores, criando melhor nossos filhos. Enquanto isso, devemos combater os que vilipendiam o dinheiro público, procurando no meio do povo pessoas descentes, honestas e éticas para nos representarem na política. Virão eleições em breve. Fiqu
Somos um povo curioso e, muitas vezes, até hilário. Se não, vejamos. Quando temos uma carga de transporte acidentada nas estradas, nós saqueamos os produtos. É muito comum estacionarmos em calçadas, vagas de deficientes e muitas vezes debaixo de placas proibitivas, sem contar o número de vezes que entramos na contramão.

Quando cometemos uma infração é comum tentarmos subornar o agente da punição. Também trocamos votos por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, dentaduras e até camisetas. Falamos ao celular enquanto dirigimos. Se nos encontramos em um congestionamento, trafegamos no acostamento. Paramos em filas duplas, triplas em frente às escolas. É frequente violarmos a lei do silêncio. Haja vista os estabelecimentos que não respeitam a vizinhança. A panificadora, de onde sou vizinho, não respeita isso, com equipamentos muito barulhentos, apesar de já termos pedido diversas vezes para isso ser revisto. Comprei um tampão de ouvidos para poder dormir.

Também dirigimos após consumir bebidas alcoólicas, sem contar o mais grave, os estabelecimentos comerciais não respeitam a lei que proíbe a venda de cigarros e bebidas alcoólicas para menores de dezoito anos, além de espalharem mesas e churrasqueiras pelas calçadas, onde não podemos transitar. Mais grave ainda, os poderes legalmente instituídos não fiscalizam adequadamente tal desrespeito. Pegamos atestados médicos sem estarmos doentes. E a nossa saúde, então?

Vilipendiamos o que podemos, furando filas com interferências de amigos que trabalham na rede pública, em prejuízo do mais necessitado ou carente. Como ensinou o médico Adib Jatene (que já foi ministro da saúde): “Pobre só tem amigo pobre”, portanto, sem condições de que alguém faça por ele alguma coisa, pois os que furam filas na saúde são sempre pessoas que têm amigos lá dentro do sistema, e o pobre, infeliz e sofredor, não tem essa condição, pois só tem amigo pobre...

Fazemos gato de luz, de água e de TV a cabo. E a pirataria na internet? Registramos imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, só para pagar menos impostos, pois não confiamos em nossos governantes quanto ao que farão com nosso dinheiro em razão de tanta corrupção existente. Compramos recibos para abater na declaração do imposto de renda... Temos tentativas de pessoas mudando a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas. Se viajarmos pela empresa, se o almoço custou dez, pedimos nota de vinte reais.

Recentemente, o CQC – programa de televisão – provou por reportagens a desonestidade do pessoal da prefeitura de Barueri-SP, que recebeu uma TV de plasma para ser doada a uma escola daquela cidade e uma funcionária levou a TV para casa. Quando vamos vender um carro velho, adulteramos o velocímetro como se fosse pouco rodado. Diminuímos a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar a passagem.

Emplacamos o carro fora do nosso domicílio para pagar menos IPVA, pois o nosso é muito caro. Frequentamos caça-níqueis e fazemos uma fezinha nos diversos jogos que existem no país, além, é claro, do velho jogo de bicho. Levamos das empresas onde trabalhamos pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis etc., como se isso não fosse roubo. Comercializamos os vales-refeição e vales-transportes que recebemos das empresas. Também falsificamos tudo, especialmente os jovens menores de 18 anos que querem um RG de adulto.

Só não falsificamos o que ainda não foi inventado. É o velho jeitinho de sempre. Os que viajam para o exterior nunca dizem a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem. Muito raramente alguém, quando encontra um objeto perdido, especialmente se for uma mala ou carteira recheada de dólares, procura ou devolve para o seu dono...

Querido (o) leitor (a), a lista é imensa. Vamos parar por aqui com a seguinte reflexão: Ainda queremos que os políticos sejam honestos? Brasileiro reclama do quê? Esses políticos que aí estão saíram de onde? Claro, do meio do povo.

Falamos tanto da necessidade em deixar um planeta melhor para os nossos filhos e nos esquecemos da urgência de criarmos filhos melhor educados, honestos, dignos, éticos e responsáveis para o nosso planeta, através dos nossos exemplos… É a mais pura verdade e isso que é o pior. Vamos dar bons exemplos. Sermos dignos e de uma ética responsável.

Tal reflexão nos remete à moral dos Espíritos que, segundo O Livro dos Espíritos (Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, item VI): “A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o bem e não o mal. Neste princípio encontra o homem uma regra universal de proceder, mesmo para as suas menores ações. Ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que, já neste mundo, se desliga da matéria, desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo, se avizinha da natureza espiritual; que cada um deve tornar-se útil, de acordo com as faculdades e os meios que Deus lhe pôs nas mãos para experimentá-lo; que o Forte e o Poderoso devem amparo e proteção ao Fraco, porquanto transgride a Lei de Deus aquele que abusa da força e do poder para oprimir o seu semelhante. Ensinam, finalmente, que, no mundo dos Espíritos, nada podendo estar oculto, o hipócrita será desmascarado e patenteadas todas as suas torpezas; que a presença inevitável, e de todos os instantes, daqueles para com quem houver procedido mal constitui um dos castigos que nos estão “reservados”; que ao estado de inferioridade e superioridade dos Espíritos correspondem penas e gozos desconhecidos na Terra”.

Vamos eleger políticos melhores, criando melhor nossos filhos. Enquanto isso, devemos combater os que vilipendiam o dinheiro público, procurando no meio do povo pessoas descentes, honestas e éticas para nos representarem na política. Virão eleições em breve. Fique atento. Eleja melhores políticos. Como cristãos, temos grande responsabilidade pelos destinos da humanidade. “Amemo-nos uns aos outros”, ensinou Jesus .                                                                                       .