sexta-feira, 30 de novembro de 2012


                            LIMITES

                      

Somos as primeiras gerações de pais decididos a não repetir com os filhos os erros de nossos progenitores. 


E com o esforço de abolir os abusos do passado, somos os pais mais dedicados e compreensivos, mas, por outro lado, os mais bobos e inseguros que já houve na História.

 Parece que, em nossa tentativa de sermos os pais que queríamos ter, passamos de um extremo ao outro.

Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais, e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos.

Os últimos que tiveram medo dos pais e os primeiros que temem os filhos.

E o pior: os últimos que respeitaram os pais e os primeiros que aceitam que os filhos lhes faltem com o respeito.

Na medida em que o permissível substituiu o autoritarismo, os termos das relações familiares mudaram de forma radical, para o bem e para o mal.

Com efeito, antes se consideravam bons pais aqueles cujos filhos se comportavam bem, obedeciam a suas ordens e os tratavam com o devido respeito.

E bons filhos, as crianças que eram formais e veneravam seus pais.

Mas, à medida que as fronteiras hierárquicas entre nós e nossos filhos foram se desvanecendo, hoje, os bons pais são aqueles que conseguem que seus filhos os amem, ainda que pouco os respeitem.

E são os filhos que, agora, esperam respeito de seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem as suas idéias, seus gostos, suas preferências e sua forma de agir e viver.

E, além disso, que os patrocinem no que necessitarem para tal fim.

Quer dizer, os papéis se inverteram, e agora são os pais que têm que agradar a seus filhos para ganhá-los e não o inverso, como no passado.

Isto explica o esforço que fazem hoje tantos pais e mães para serem os melhores amigos e dar tudo a seus filhos.

Os filhos precisam perceber que, durante a infância, estamos à frente de suas vidas, como líderes capazes de sujeitá-los quando não os podemos conter, e de guiá-los enquanto não sabem para onde vão.

Se o autoritarismo suplanta, humilha, o permissível sufoca.

Apenas uma atitude firme, respeitosa, lhes permitirá confiar em nossa idoneidade para governar suas vidas enquanto forem menores.

Vamos à frente liderando-os e não atrás, carregando-os, e rendidos à sua vontade.

É assim que evitaremos que as novas gerações se afoguem no descontrole e tédio no qual muitos estão afundando, descuidados.

Os limites abrigam o indivíduo. Com amor ilimitado e profundo respeito.

* * *

Allan Kardec, na questão 208 de O livro dos espíritos, pergunta: O Espírito dos pais tem influência sobre o do filho após o nascimento?

Há uma influência muito grande - respondem os Espíritos - como já dissemos, os Espíritos devem contribuir para o progresso uns dos outros.
Pois bem, os Espíritos dos pais têm como missão desenvolver o de seus filhos pela educação. É para eles uma tarefa: se falharem, serão culpados.
Redação do Momento Espírita -  item 208 de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. Feb


quarta-feira, 28 de novembro de 2012



CASA OU LAR



               
                 
O que será mais importante para nós: uma casa ou um lar?    

Existe uma grande preocupação com a casa. São importantes o estilo, o tamanho e o número de peças, os móveis e, claro, cada coisa no seu lugar.
Nas viagens a passeio vamos adquirindo mais e mais coisas para enfeitar a casa: quadros, tapetes, bibelôs, cristais. E cada objeto vai ganhando o seu lugar especial, de particular destaque.
Enquanto não chegam as crianças, quase tudo vai bem, mas quando elas chegam, começa a se tornar difícil se ter uma casa bem cuidada.
Alguns chegam ao exagero de ocultar brinquedos das crianças, porque elas fazem bagunça demais. Esquecem que, quando se tornarem adultas, elas não necessitarão mais de brinquedos.
Esquecem que, quando elas crescerem, sentiremos saudades dos brinquedos espalhados, da bicicleta deitada no jardim, da bola esquecida no quintal.
Um dia, um pai, depois de ouvir o estardalhaço e as reclamações da esposa sobre o estado de sua casa, perguntou: Afinal, o que você quer: uma casa ou um lar?
As palavras soaram para ela como uma bomba. Ele tinha razão. E seus olhos se voltaram para um quadro que tinha comprado algum tempo atrás e se encontrava na parede da sala.
Talvez Deus quisesse lhe dar uma mensagem, dizendo que ela deveria modificar as suas prioridades, pensou.
O quadro mostrava uma antiga roda de vagão de trem, encostada em um pilar, prestes a apodrecer. O mato ameaçava tomar conta das flores silvestres que cresciam perto de sua base.
No topo do pilar, havia uma velha caixa de correspondência amassada, cuja porta sustentava-se no lugar apenas por uma dobradiça enferrujada.
Dentro, protegidos em seu ninho de galhos secos, quatro filhotes aguardavam a refeição. A cautelosa mãe estava empoleirada no galho de um arbusto retorcido, que sobressaía do outro lado da abertura da caixa de correspondência.
A mãe passarinho havia escolhido o local do ninho com muito cuidado. Naquele local precário, seus filhotes estariam protegidos do sol e da chuva, enquanto ela e seu companheiro procuravam comida.
Aquela pequenina ave não estava preocupada com o que seus vizinhos poderiam pensar ou se seu ninho passaria pelo teste de controle de qualidade.
A mensagem da pintura era muito simples: a casa não faz o lar. O lar é construção da família. O lar é produto do carinho e do amor. Resultado do saber eleger prioridades.
Assim, quando você tiver que escolher entre uma casa totalmente limpa e arrumada e as necessidades de sua família, pense um pouco.
Se sua filha lhe convidar para jogar com ela e você tiver uma pilha de roupas para lavar, pense que as roupas sempre necessitarão de sua atenção, mas um dia aquela garotinha parará de convidar você para jogar com ela.
Se seu filho lhe convidar para jogar bola e você estiver pensando em colocar em ordem a sua biblioteca, a sua sala de estudos, pense que os livros, os papéis continuarão sempre necessitando de ordem e limpeza, mas o seu garotinho crescerá e deixará de convidar você para chutar bola com ele.
Naturalmente, você não dará todo o seu tempo aos seus filhos, mas terá o bom senso necessário para administrá-lo bem, a fim de que entre as coisas da casa e as coisas mais importantes do lar, estas últimas sejam prioritárias.
*  *  *
Arrume sua casa e a mantenha em ordem, mas não esqueça de colocar flores de ternura nos vasos do seu lar, nem de regá-las com a água da paciência.
Quando descobrir rabiscos nas paredes, peça a seus filhos para os limparem, mas antes admire o arco-íris que eles pintaram.
Quando aparecerem marcas de dedos nas janelas, providencie a limpeza, mas antes fotografe todos os dedinhos com a câmara do seu coração para sempre os lembrar.
E quando descobrir brinquedos quebrados, agradeça a Deus, que sejam somente brinquedos e não os corações amados dos seus filhos, jóias preciosas da sua existência.


Redação do Momento Espírita com base no cap. Quadro perfeito, de Ann Campshure,
e do cap. A oração de uma mãe, de Ângela Thole, do livro Histórias para o
coração da mulher, de Alice Gray, ed. United Press.


sexta-feira, 23 de novembro de 2012




CENTRO ESPIRITUALISTA

CENTRO ESPÍRITA

















Por que no Brasil se confunde Espiritismo com cultos africanistas, com terreiros e coisas assim?

Raul Teixeira responde: Isso se deve ao fato de termos um grande contingente de pessoas que desconhecem o que seja o Espiritismo e que não se interessam, nem desejam saber o que realmente ele é. Muitos espalham informações sobre o Espiritismo de acordo com o que supõem que seja, demonstrando grande dose de leviandade ou de má intenção. Ainda que o Espiritismo e, por sua vez, os espíritas, não tenham nada contra as práticas e crenças africanistas, é importante que cada coisa esteja no seu lugar, facilitando até a busca e o enquadramento das criaturas que estão procurando novas propostas de vida. Somente por meio das leituras sérias e dos estudos metódicos se conseguirá desfazer a confusão que gera tantos mal entendidos entre os espiritualistas.

  

OBSERVAÇÃO: Nós espíritas pensamos o seguinte: Espíritos que pedem charuto, bebidas alcoólicas, comida, sangue de um irmão inferior (animal) ou mesmo humano, que participam de trabalhos de vingança ou outra maldade qualquer, precisam de esclarecimento cristão. Eles ainda estão apegados à coisas materiais e sentimentos inferiores. Seria incoerente falarmos de Jesus e nos propor fazer maldade seja lá a quem for. Como podemos pedir ajuda a quem precisa de ajuda? Se Espíritos resolvessem problemas, Chico Xavier, que foi muito mais merecedor que muitos de nós, não teria sofrido com doenças e problemas. Já que vivia em contato direto com eles. Então, sigamos o conselho do apóstolo Paulo:"Não creiais em todos os espíritos, mas examinai se eles são de Deus." (João 4:1). Paulo sabia que todos os Espíritos são de Deus, mas o propósito de alguns não são divino. Por isso, precisamos ter cuidado para não nos confundirmos, não nos aliarmos, não incentivarmos, não nos comprometermos com a lei divina. O Espiritismo é uma doutrina sem sacerdotes, sem dogmas, sem rituais, não adota em suas reuniões e em suas práticas qualquer tipo de paramentos ou vestes especiais (as vestes brancas devem ser as que nos cobrem o espírito e o nosso perispírito); não utilizamos sal grosso, plantas, amuletos, etc. (porque o nosso coração é nosso escudo, quando nele mora o amor); não adotamos cálice com vinho ou bebidas alcoólica (os espíritas não devem alimentar o vício do álcool nem do fumo, porque precisamos estar lúcidos para apreciar a beleza da vida); não utilizamos incenso, mirra, velas (porque são coisas materiais e nós usamos a prece para nos sustentar o espírito); não temos altares, imagens, andores, procissões, pagamento pelos trabalhos espirituais, talismãs, sacrifício animal, santinhos, administração de indulgências, confecção de horóscopos, exercício da cartomancia, quiromancia, astrologia, numerologia, cromoterapia, pagamento de promessas, despachos, riscos de cruzes e pontos, não temos curas espirituais com cortes, orações milagrosas para resolver problemas sentimentais, financeiros, etc.
Atenção: este espaço não é para criticar qualquer prática de outra religião. É apenas para esclarecer a maneira que nós espíritas pensamos e agimos.

Grupo de estudos Allan Kardec








terça-feira, 20 de novembro de 2012


 BEBIDA ALCOÓLICA NÃO AFETA SÓ O FIGADO



Esta droga liberada (este veneno) produz sérias conseqüências à saúde física como: irritação na mucosa gástrica e duodenal, levando o paciente à úlcera. 

Ela irrita as mucosas do esôfago e do estômago, causando a esofagite, gastrite e diarréia; nosso cérebro é afetado após a ingestão da segunda dose; o pâncreas, 25% dos pacientes acometidos de alcoolismo agudo exibem evidências reais de pancreatite, ou seja, de lesões no pâncreas inflamado. 
E quando o pâncreas está alterado pode ocasionar a diabetes; o álcool também determina depósitos de gordura nas artérias, ocasionando a terrível arteriosclerose, que leva o paciente à angina de peito, uma dor insuportável produzida pela diminuição da circulação sangüínea no miocárdio, o músculo nobre do coração; na esfera do sistema nervoso o álcool ocasiona derrames cerebrais, paralisias, gota, alterações do comportamento, até mesmo a loucura mais completa; os rins são responsáveis pela filtração final do etanol, de apenas 6% da substância. 

Portanto, se tomarmos seis latas de cerveja, por exemplo, nosso fígado irá levar seis horas para metabolizar todo o álcool presente em nosso corpo. E, enquanto o fígado metaboliza a primeira latinha, o resto do álcool fica circulando no sangue e intoxicando, causando alterações e danos em diferentes órgãos. 

O álcool "força" o trabalho do fígado que passa a produzir mais enzimas para metabolizar o etanol e isso culmina com uma inflamação crônica e hepatite alcoólica, podendo evoluir para cirrose.
bebida alcoólica, já por si é altamente prejudicial, mas às vezes, ela se torna mais prejudicial, porque é criminosamente adulterada. 
 Nos uísques falsificados, aguardentes precocemente envelhecidas e cervejas mal pasteurizadas, os exames químicos denunciam substâncias estranhas diversas: iodo, óxido de ferro, arsênico, chumbo, corantes nocivos, sódio e potássio. 

E, temos também, um agravante invisível. 
O bebedor inveterado geralmente (senão sempre), é assediado por terríveis obsessores que lhes compartilham a mesa do lar, do bar elegante ou o balcão da tosca imunda.

Muitas doenças que aparecem no decorrer da nossa vida são resultados dos abusos do álcool. Então, quando alguém diz: "Viu, fulano bebia muito, mas morreu de infarto!" ou "Fulano bebia muito, mas morreu de pancretite!", porque quer defender a bebida alcoólica, para justificar seu vício alcoólico, saiba agora que, esta droga não desenvolve apenas cirrose, ou seja, ela não afeta só o fígado.  

OBSERVAÇÃO: Nós precisamos frisar sempre três pontos importantes:
1º) O álcool reduz a resistência física, diminui o tempo de vida e, por isso, o seu praticante é considerado um SUICIDA. 

2º) Por isso, muitos de nós nascemos com certo órgão debilitado ou fragilizado. São abusos de outra encarnação. 
3º) Cada garrafa de bebida que adquirimos ajuda a sustentar a indústria que mata mais gente e destrói mais lares do que uma guerra. Um seareiro de Jesus não deveria compactuar com isso.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012


                QUAL A CAUSA DE NOSSO 

                         SOFRIMENTO

Precisamos compreender que, nós não estamos neste planeta estagiando em uma colônia de férias, nem desfrutando de viagem turística.
Segundo a definição da Doutrina Espírita, vivemos num Planeta de Expiações e Provas onde os moradores são devedores perante a lei divina e a “DOR” é a representante da Justiça Divina. Ela cobra nossas dívidas do passado e testa aquisições do presente.
Kardec comenta longamente no cap. V, nos itens 4 a 10 no O Evangelho segundo o Espiritismo, que as causas dos males que enfrentamos estão na vida atual e na vida passada. Vejamos:
CAUSAS ATUAIS: exprimem equívocos do presente. Exemplo: nosso corpo físico é uma incrível  máquina de peças vivas de que nos servimos para evoluir. O problema são os maus-tratos a que a submetemos, em vários aspectos: alimentação: quando excessiva ou inadequada, altera a química orgânica, acumula gordura, provoca distúrbios gástricos, digestivos, circulatórios, hormonais; exercício: vida sedentária é caminho da obesidade, da obstrução das artérias, da indisposição física; repouso: déficit de sono traz cansaço, debilita o sistema imunológico, perturba a memória, favorece a evolução de doenças variadas; vícios: fumo, álcool, drogas que causam desarranjos graves, degenerativos, aniquiladores; sentimentos: prepotência, luxúria, pessimismo, ódio, rancor, ressentimento, mágoa, preguiça, desânimo, angústia, revide, inveja, falta de perdão, vingança, egoísmo, orgulho, violência, ganância, etc., que pressionam nosso psiquismo, repercutindo na máquina física como contundentes agressões. Esses fatores complicam a existência. Culpamos o destino, a família, a sociedade, a Vida....há até quem culpe Deus. No entanto, se bem observarmos, a origem está em nós mesmos, no comportamento, na maneira de ser.
CAUSAS ANTERIORES: dizem respeito a equívocos do passado, em pretéritas existências, gerando os males presentes, atendendo aos princípios de causa e efeito que nos regem. Limitações físicas congênitas, mortes prematuras, enfermidades graves, família difícil, problemas financeiros, dificuldades profissionais e variadas outras situações, se não justificadas pelo “hoje”, tem sua origem no comportamento desajustado do “ontem”. Atingem, não raro, pessoas caridosas, de bons princípios, que não fazem mal a ninguém. Se não fosse a reencarnação seria difícil acreditar que Deus é justo. Há espíritos evoluidos que pedem resgates difícies para acelerar sua evolução; outros reencarnam para ajudar uma família, um grupo, um país, etc,. No caso de Jesus, ele não tinha débitos, mas encarnou para trazer ensinamentos importante para os habitantes do planeta. Neste caso, ele não sofreu por dever algo à lei divina, mas pela ignorância dos habitantes do planeta. Mas, não devemos esquecer que as cobranças cármicas são sempre compatíveis com nossa capacidade de resgate. "Deus não dá um fardo maior que podemos carregar" (ICo, 10:13). O pagamento é em suaves prestações e não precisa ser através da dor, pode ser através do amor: "o amor cobre multidões de pecados" (I Pedro, 4:8). Mas, o que devemos entender é que, devemos pagar e não adquirir novas dívidas.
A medicina do futuro será essencialmente profilática.
Antes de receitar medicamentos, que cuidam de efeitos, os médicos deverão identificar as causas no comportamento do paciente.
O que faz, o que pensa, o que sente, o que come, como se exercita, como dorme, como trabalha, como se relaciona com as pessoas, os sentimentos que cultiva, etc.
E lhe prescreverão não só medicamentos, mas também atitudes, corrigindo a postura existencial para que a saúde se estabeleça.
Joanna de Ângelis disse: “A dor é a ausência do amor.”  Ela quis dizer que, enquanto não aprendermos a amar nosso corpo físico, o próximo e a tudo que convivemos neste planeta continuaremos a adoecer e, consequentemente, sofreremos. Se não for nesta encarnação será em outras. Renasceremos quantas vezes forem necessárias para aprendermos a AMAR.  

terça-feira, 13 de novembro de 2012

             SALVAÇÃO SEGUNDO ESPIRITISMO


FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO?
Se a máxima fosse “Fora da igreja não há salvação”, cada religião “puxaria sardinha para sua brasa”, haveria muito mais orgulho e briga do que já tem. Se a salvação fosse através de uma determinada religião, Deus seria injusto com aqueles que fazem ou fizeram Sua vontade, mas são de religiões diferentes como Madre Teresa, Chico Xavier, Buda, Gandhi, etc. Afinal, muitos dizem “Senhor, Senhor...", mas não fazem a sua vontade.
A SALVAÇÃO É INDIVIDUAL?
Sim. “Deus retribuirá a cada um segundo suas obras” (Rom. 2:6), cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus” (Rom. 14:12). Portanto, não será por religião, será pelas nossas obras, baseadas no amor ao próximo, como fez o samaritano da parábola que socorreu um homem que estava todo machucado (porque havia sido assaltado), sem perguntar se ele era um judeu que eles (samaritanos) tanto odiavam. Sendo que, havia passado pelo homem ferido um sacerdote e logo após um levita (ambos trabalhadores do templo e conhecedores da Lei), que apenas olharam e passaram reto. Aqui confirmamos que não é por igreja a salvação, não basta conhecer as leis divinas ou freqüentar uma casa religiosa, tem que colocar em prática.
PARA SER SALVO BASTA ACEITAR JESUS?
Não. Lembremos de Zaqueu. Ele aceitou Jesus, mas somente quando declarou que iria modificar sua atitude Jesus disse que ele estava salvo. Muitos chegam à religião, submetem-se aos rituais, cultos, dogmas, etc, mas não se transformam, não buscam saber o que Deus ou Jesus esperam delas. Fora do templo religioso tornam-se tiranos, corruptos, desonestos, infiéis, exploradores, etc. Esquecem ou não buscam aprender que, “a fé sem obras (úteis) é morta”, ou seja, acreditar ou aceitar e não praticar o que Eles pedem não terá valor.
O SANGUE DE JESUS NOS REDIME (SALVA)?
Não. Jesus Cristo é o nosso Redentor, no sentido de que Ele foi o Enviado do Pai para nos trazer a mensagem do Evangelho. Mas, se fosse o sangue de Jesus que nos remisse (salvasse), não precisaríamos fazer nada. Poderíamos nos esbaldar! E o próprio Jesus disse: “Ninguém deixará de pagar até o último centavo”. Se fosse, pois, o sangue Dele que nos redimisse, não teríamos que pagar nem o primeiro nem o último centavo do preço de nossas faltas! E esse ensino do Mestre nos deixa claro, também, que pago o último centavo, estaremos quites com a Justiça Divina, não tendo nós que pagar mais nada, porquanto, a justiça divina é perfeita. E isso derruba por completo as chamadas penas eternas.
FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO?
Sim. Mas, primeiro precisamos aprender o significado da palavra caridade. Caridade não é somente dar esmolas. Caridade é “fazer ao próximo o que gostaríamos que o próximo nos fizesse”, ou seja, não enganar, não roubar, não adulterar, não desrespeitar, não ser violento, é matar a fome de alguém, é vestir alguém, é calçar alguém, é evangelizar alguém, é retirar alguém do vício, é não julgar, é levar uma palavra de consolo, é um sorriso sincero, é um abraço afetuoso, é cuidar do idoso, dos animais, da Natureza, do planeta, enfim, é respeitar e cuidar de tudo o que Deus criou, inclusive nós mesmos que também somos criação Dele. 
ENTÃO, O QUE É SALVAÇÃO PARA OS ESPÍRITAS?
Como disse Emmanuel “salvação” não é ganhar o reino dos céus; não é o encontro com o paraíso após a morte; salvação é libertação de compromisso; é regularização de débitos. E, fora da prática do amor (caridade) de uns pelos outros, não seremos salvos do resgate das complicações criados por nós mesmos, através de brigas, violência, exploração, desequilíbrios, frustrações e muitos outros problemas que fazem a nossa infelicidade.
Quando fizermos da caridade a nossa lei, e da solidariedade nossa norma de conduta, nos converteremos em agentes do Bem na Terra, a mesma luz que acendermos para os outros purificará a nossa alma. Em I Pedro, 4:8 diz:
“O amor cobre a multidão dos pecados”, quer dizer que todo o Bem que estendermos ao próximo diminuiremos a multidão de erros que cometemos no passado e no presente. Só assim estaremos salvos, livres de resgates, muitas vezes dolorosos, aflitivos através das reencarnações. Reencarnaremos quantas vezes for preciso até que paguemos o último centavo de nossos débitos com a lei divina.
Por isso a bandeira do Espiritismo é FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.


OBSERVAÇÃO: Numa entrevista feita pela TV gaúcha, uma pessoa, perguntou para o médium espírita Divaldo P. Franco: “Porque, sendo espírita, sofro tanto a muito tempo?” E Divaldo respondeu que o Espiritismo não nos torna salvos da dor. A função do Espiritismo é a de nos fortalecer para a dor e não a de nos libertar dela sem o necessário mérito do sofrimento; a função do Espiritismo é nos dar uma visão ampla da vida, nos oferecendo recursos para superarmos as limitações. E acrescentou, que graças a Deus, ela sendo espírita, estava sofrendo, porque é sempre bem-aventurado aquele que resgata perante os Bancos da Misericórdia Divina. Porque a dor, ao invés de ser punição, é benção, é crédito perante a vida.
Portanto, como vemos, até entre nós espíritas, que temos o esclarecimento espiritual da lei de causa e efeito, há pessoas que querem ter o privilégio de se
“salvar”, ou seja, de escapar do sofrimento, causado por nós mesmos quando transgredimos as leis divinas, só porque somos dessa ou daquela religião. Isso só acontece, porque nosso orgulho nos faz achar que somos melhores do que os outros, e principalmente por não buscarmos o conhecimento, ou esclarecimento da Doutrina dos Espíritos.




sexta-feira, 9 de novembro de 2012


                   QUERO SER MÉDIUM ANDRÉ LUIZ


André Luiz acompanhou o missionário Alexandre para observar algumas demonstrações de desenvolvimento mediúnico em um Centro Espírita.

Instantes depois, os primeiros encarnados deram entrada no recinto. André observava a conversa, onde três deles mostravam desânimo, pois tentavam à algum tempo desenvolver a mediunidade sem resultado algum.

Foi iniciada a sessão de desenvolvimento, onde 18 pessoas mantinham-se em expectativa.
Alexandre explica a André Luiz que tal desenvolvimento requer: disciplina, educação, esforço e perseverança. Então, passaram a observar 3 pessoas:

O primeiro foi um rapaz que queria psicografar. Então, Alexandre pede para André Luiz observar o aparelho genital do rapaz, e explicou que ali havia bacilos psíquicos da tortura sexual, produzidos pela sede febril de prazeres inferiores. Sem contar o contato com entidades grosseiras, que se afinavam com as predileções dele.

Passaram, então, a observar o segundo, um senhor de bigode, que demonstrava dificuldade para sustentar o pensamento com relativa calma.

 Foi concluído que este deveria usar alcoólicos em quantidade regular. 

O aparelho gastrintestinal encontrava-se totalmente ensopado em aguardente, e invadia os escaninhos do estômago, e começava a afetar o esôfago e a influenciar o bolo fecal. 

O fígado estava enorme, o baço apresentava anomalias estranhas . . . 

 Então, Alexandre esclareceu dizendo que, André Luiz estava examinando as anormalidades menores.

Depois, passaram a observar a terceira, uma senhora idosa, que era candidata ao desenvolvimento da mediunidade de incorporação. 

Viu-se então, uma fraquíssima luz que emanava de sua organização mental. 

O estômago estava dilatado horrivelmente e os intestinos pareciam sofrer estranhas alterações. O fígado estava aumentado. 

O aparelho digestivo estava cheio de pastas de carne e caldos gordurosos, cheirando a vinagre de condimentação ativa. Enfim, ali estava uma pobre senhora desviada nos excessos de alimentação.

Alexandre concluiu:

- O Espiritismo cristão é a revivescência do Evangelho de Nosso Senhor Jesus-Cristo, e a mediunidade constitui um de seus fundamentos vivos. 

A mediunidade, porém, não é exclusiva dos chamados "médiuns". 

Todas as criaturas a possuem, porquanto significa percepção espiritual, que deve ser incentivada em nós mesmos. 
Não bastará, entretanto, perceber. 

É imprescindível santificar essa faculdade, convertendo-a no ministério ativo do bem. A maioria dos candidatos ao desenvolvimento dessa natureza, contudo, não se dispõe aos serviços preliminares de limpeza do vaso receptivo. 

Dividem, inexoravelmente, a matéria e o espírito, localizando-os em campos opostos, quando nós, estudantes da Verdade, ainda não conseguimos identificar rigorosamente as fronteiras entre uma e outro, integrados na certeza de que toda a organização universal se baseia em vibrações puras. 

Inegavelmente, meu amigo André, não desejamos transformar o mundo em cemitério de tristeza e desolação. Atender a santificada missão do sexo, no seu plano respeitável, usar um aperitivo comum, fazer a boa refeição, de modo algum significa desvios espirituais; no entanto, os excessos representam desperdícios lamentáveis de força, os quais retêm a alma nos círculos inferiores.

Ora, para os que se trancafiam nos cárceres de sombra, não é fácil desenvolver percepções avançadas. Não se pode cogitar de mediunidade construtiva, sem o equilíbrio construtivo dos aprendizes, na sublime ciência do bem-viver.


Do Livro: Missionários da Luz, capítulo 3
André Luiz (Espírito), psicografia de Francisco Cândido Xavier (médium)


OBSERVAÇÃO: “Há médiuns preocupados em ouvir o gemido dos espíritos desencarnados e não ouvem os gemidos dos encarnados. Temos outros ansiosos por ver espíritos, sem notarem os que sofrem a sua volta; vários desejosos de materializar entidades, sem a preocupação de espiritualizar-se. Então, para o médium será importante que ele se ajuste à dinâmica da Doutrina Espírita, no trabalho da caridade, no esforço da renovação dele e daqueles que o cercam."

GRUPO DE ESTUDOS ALLAN KARDEC

segunda-feira, 5 de novembro de 2012



O BEM E O MAL NA VISÃO ESPÍRITA


MAS AFINAL, O QUE É O BEM E O MAL?
“O Bem é proceder de acordo com a Lei de Deus; e o Mal é desrespeitá-la.” (Questão 629 em O Livro dos Espíritos).

POR QUE O MAL GERALMENTE VENCE O BEM?
“Por fraqueza dos bons é que vemos com freqüência no mundo, a influência dos maus vencerem a influência dos bons. Porque os maus são intrigantes e audaciosos, e os bons são tímidos. E que, quando os bons quiserem, predominarão.” (Questão 932 em O Livro dos Espíritos)

Em conflito com o Bem e o Mal, o Apóstolo Paulo disse: “o querer o Bem está em mim, mas não sou capaz de fazê-lo. Não faço o Bem que quero, e sim o Mal que não quero.”
Semelhante desvio é típico de um planeta de expiação e provas como a Terra, habitado por Espíritos de variados graus de evolução. Mas, todos temos meios de distinguir o Bem do Mal se acreditarmos em Deus. Pois, Ele nos deu inteligência para discernirmos um do outro. O grau de culpabilidade de um ato depende do quanto sabemos. Exemplo: Se uma criança pegar uma arma e ferir alguém não será julgado com o mesmo rigor que uma pessoa que saiu com uma arma com intenção de ferir.
Por isso, Jesus disse que a porta da perdição é larga, porque as más paixões são numerosas, e o caminho do mal é freqüentado pela maioria. E da salvação é estreita, porque o homem que quer ultrapassá-la deve fazer grandes esforços sobre si mesmo para vencer as más tendências.
Não podemos ignorar que temos uma bagagem (boa e má) adormecida de outra vida. E que ao freqüentarmos certos lugares, ao fazermos certas leituras, ao cometermos certos atos e pensamento podemos despertar vícios, falhas e erros do passado, que irão somar com os erros do presente. Porque não sabemos se fomos envolvidos com assassinato, drogas, jogos, sexo desregrado, etc. Sem contar que tais atitudes são pratos cheios para atrairmos espíritos (encarnados e desencarnados) afins que estão esperando uma oportunidade para nos intuir (incentivar) ao erro.
Por isso, muitas vezes, ouvimos os obsessores encarnados e desencarnados sugerirem o Mal.
Por exemplo:
- Você não vai beber ? Você é bobo!
- Você não vai usar drogas ? Você é babaca!
Agora, perguntemos:
- Por que temos que ceder para o que é errado ?
- Por que o errado não cede para o que é certo ?
Porque, como disseram os espíritos, o bem é tímido e o mal audacioso.
Sabemos que o meio que certas pessoas vivem é para ele o principal motivo para enveredar para o vício e o crime. Mas, exposição á tentação é uma prova escolhida por nós antes de encarnar, para testarmos nossa resistência. É uma prova difícil, mas somos capazes de dizer "não" ao Mal usando nosso livre arbítrio. Disse Raul Teixeira:
"Muitos de nós usamos a desculpa que: "todo muito erra; todo mundo bebe; todo mundo fuma; etc., para errarmos também." Mas, na porta estreita da vida não passaremos senão a "sós". Mesmo que desencarnemos num acidente coletivo, cada qual se encontrará num estado vibratório diferente. Portanto, cada qual adentrará os umbrais da vida a "sós". Não conseguiremos justificar nossos erros dizendo que fomos arrastados por fulano ou beltrano."
Infelizmente, os meios de comunicação incentivam nossas crianças, nossos jovens e muitos adultos ao desequilíbrio. Músicas e danças vulgares; propagandas que mostram a bebida como um amuleto da felicidade e da alegria; a violência e o sexo banalizados. Só o Evangelho nos fortalecerá contra nossas próprias fraquezas.
Portanto, respeitemos o livre arbítrio dos que querem seguir o Mal, mas vamos exigir respeito quanto ao nosso livre arbítrio em querer seguir o Bem. Não nos envergonhemos de ser diferente. Todos podemos fazer o Bem, somente o egoísta não encontra ocasião de praticá-lo. O espírita é um cidadão dinâmico e não um alienado. Nós devemos cooperar nas atividades que engrandeçam o mundo. Demonstrar nas atividades públicas a conduta espírita, assumindo os deveres do mundo sem nos tornarmos mundano, ser cristão na liça movimentada das realizações sociais. Porque, como disse Divaldo P. Franco: “o mal é o bem ausente. A treva é a luz apagada. Ao invés de amaldiçoarmos na escuridão, acendamos uma luz.”

GRUPO DE ESTUDOS ALLAN KARDEC

sexta-feira, 2 de novembro de 2012


 FINADOS NA VISÃO ESPÍRITA

O hábito de visitar os mortos, como se o cemitério fosse sala de visitas do Além, é cultivado desde as culturas mais remotas. 

Mostra a tendência em confundir o indivíduo com seu corpo. 
Há pessoas que, em desespero ante a morte de um ente querido, o "VISITAM" diariamente. 

 Chegam a deitar-se no túmulo.

 Desejam estar perto do familiar. 

Católicos, budistas, protestantes, muçulmanos, espíritas - somos todos espiritualistas, acreditamos na existência e sobrevivência do Espírito.

 Obviamente, o ser etéreo não reside no cemitério. Muitos preferem dizer que perderam o familiar, algo que mostra falta de convicção na sobrevivência do Espírito. Quem admite que a vida continua jamais afirmará que perdeu alguém. 

Ele simplesmente partiu. 

Quando dizemos "perdi um ente querido", estamos registrando sérios prejuízos emocionais. 

Se afirmarmos que ele partiu, haverá apenas o imposto da saudade, abençoada saudade, a mostrar que há amor em nosso coração, o sentimento supremo que nos realiza como filhos de Deus. Em datas significativas, envolvendo aniversário de casamento, de morte, finados, Natal, Ano Novo, dia dos Pais, dia das Mães, sempre pensamos neles.

COMO PODEMOS AJUDAR OS QUE PARTIRAM ANTES DE NÓS?
Envolvendo o ser querido em vibrações de carinho, evocando as lembranças felizes, nunca as infelizes; enviando clichês mentais otimistas; fazendo o bem em memória dele, porque nos vinculamos com os Espíritos através do pensamento. 
Além disso, orando por ele, realizando caridade em sua homenagem, tudo isso lhe chegará como sendo a nossa contribuição para a sua felicidade; a prece dá-lhe paz, diminui-lhe a dor e anima-o para o reencontro futuro que nos aguarda.

PODEMOS CHORAR?
Podemos chorar, é claro. Mas saibamos chorar. Que seja um choro de saudade e não de inconformação e revolta. 
O choro, a lamentação exagerada dos que ficaram causam sofrimento para quem partiu, porque eles precisam da nossa prece, da nossa ajuda para terem fé no futuro e confiança em Deus.
Tal comportamento pode atrapalhar o reencontro com os que foram antes de nós. Porque se eles nos visitar ou se nós os visitarmos (através do sono) nosso desequilíbrio os perturbará. Se soubermos sofrer, ao chegar a nossa vez, nos reuniremos a eles, não há dúvida nenhuma.

ENTÃO OS ESPÍRITAS NÃO VISITAM O CEMITÉRIO? 
Nós espíritas não visitamos os cemitérios, porque homenageamos os “vivos desencarnados” todos os dias. 
Mas a posição da Doutrina Espírita, quanto as homenagens (dos não espíritas), prestadas aos "MORTOS" neste Dia de Finados, ao contrário do que geralmente se pensa, é favorável, 
DESDE QUE SINCERAS E NÃO APENAS CONVENCIONAIS.
Os Espíritos, respondendo a perguntas de Kardec a respeito (em O Livro dos Espíritos), mostraram que os laços de amor existentes entre os que partiram e os que ficaram na Terra justificam esses atos. E declaram que no Dia de Finados os cemitérios ficam repletos de Espíritos que se alegram com a lembrança dos parentes e amigos. Há espíritos que só são lembrados nesta data, por isso, gostam da homenagem; há espíritos que gostariam de serem lembrados no recinto do lar. 

 Porque, se ele desencarnou recentemente e ainda não está perfeitamente adaptado às novas realidades, irá sentir-se pouco à vontade na contemplação de seus despojos carnais; Espíritos com maior entendimento, pedem que usemos o dinheiro das flores em alimento aos pobres. Portanto, usemos o bom senso em nossas homenagens. 
Com a certeza que ELES VIVEM. 
 E se eles vivem, nós também viveremos. E é nessa certeza que devemos aproveitar integralmente o tempo que estivermos encarnados, nos esforçando para oferecer o melhor de nós em favor da edificação humana. Só assim, teremos um feliz retorno à pátria espiritual.
Compilação de Rudymara

terça-feira, 30 de outubro de 2012

A MORTE E SEUS MISTÉRIOS

A desencarnação não é, segundo o Espiritismo,
igual para todos, mas depende do estado
moral da pessoa, quando encarnada
 
 
 
A certeza da vida futura não exclui as apreensões do homem quanto à desencarnação. Há muitos que temem não propriamente a vida futura, mas o momento da morte. Será ele doloroso? Tentando elucidar essas questões, Allan Kardec inquiriu  os  Espíritos e  deles  recebeu a   informação de  que o corpo  quase  sempre  sofre  mais  durante  a  vida  do  que  no momento da morte e que
os sofrimentos que algumas vezes se experimentam no instante da morte são um gozo para o Espírito.

É preciso, no entanto, que consideremos que a desencarnação não é igual para todos, mas, ao contrário, há uma variação muito grande, visto que numerosas são as formas de viver adotadas pelos encarnados. Vendo-se a calma de alguns moribundos e as convulsões terríveis de outros, pode-se previamente julgar que as sensações experimentadas nem sempre são as mesmas.

A separação da alma é feita de forma gradual, pois o Espírito se desprende pouco a pouco dos laços que o prendem, de forma que as condições de encarnado ou desencarnado, no momento do desenlace, se confundem e se tocam, sem que haja uma linha divisória entre as duas.

Alguns fatores podem influir para que o desprendimento ocorra com maior ou menor facilidade, fatores relacionados com o estado moral do homem quando encarnado. A afinidade entre o corpo e o perispírito é proporcional ao apego do indivíduo à matéria, que atinge seu ponto máximo no homem cujas preocupações dizem respeito exclusivamente à vida de gozos materiais. Ao contrário disso, nas almas puras – que antecipadamente se identificam com a vida espiritual – o apego é quase nulo.

O desprendimento da alma jamais
é brusco, mas gradual

Em se tratando de morte natural resultante da extinção das forças vitais por velhice ou enfermidade, o desprendimento opera-se gradualmente. Para o homem cuja alma se desmaterializou e cujos pensamentos se destacam das coisas terrenas, o desprendimento quase se completa antes da morte real, ou seja, tendo o corpo ainda vida orgânica, o Espírito já começa a penetrar a vida espiritual, apenas ligado à matéria por elo tão frágil que se rompe com a última pancada do coração.

No homem materializado e sensual, que mais viveu do corpo que do espírito, e para quem a vida espiritual nada significa, tudo contribui para estreitar os laços materiais; e quando a morte se aproxima, o desprendimento, embora também se opere gradualmente, demanda contínuos esforços. As convulsões da agonia são indícios da luta do Espírito, que às vezes procura romper os elos resistentes e outras vezes se agarra ao corpo, do qual uma força irresistível o arrebata com violência, molécula por molécula.

O desconhecimento da vida espiritual faz com que o Espírito se apegue à vida material, estreitando seus horizontes e resistindo à morte com todas as forças, com o que consegue prolongar a vida e, conseqüentemente, sua agonia, por dias, semanas ou meses. Em tais casos, a morte não implica o fim da agonia, pois a perturbação continua e ele, sentindo que vive, sem saber definir seu estado, sente e se ressente da doença que pôs fim aos seus dias, permanecendo com essa impressão indefinidamente, uma vez que continua ligado à matéria por meio de pontos de contato do perispírito com o corpo.

Dá-se o contrário com o homem que se espiritualizou durante a vida. Depois da morte, nem uma só reação o afeta. Seu despertar na vida espiritual é como quem desperta de um sono tranqüilo, lépido, para iniciar uma nova fase de sua vida.

No suicídio, a separação da alma
é bastante dolorosa

Nas mortes violentas, como nos acidentes, tendo em vista que nenhuma desagregação se iniciou antes da separação do perispírito, o desprendimento só começa depois da morte e seu término não ocorre rapidamente. O Espírito fica aturdido, não compreende seu estado, permanecendo na ilusão de que vive materialmente por período mais ou menos longo, conforme seu nível de espiritualização.
Nos casos de suicídio, a separação da alma é extremamente dolorosa. 

Constituindo o suicídio um atentado contra a vida, o sofrimento quase sempre permanece por período igual ao tempo em que o Espírito deveria estar encarnado. Além disso, as dores da lesão física provocada repercutem no Espírito. A decomposição do corpo e sua destruição pelos vermes são sentidas pelo Espírito desencarnado, conquanto tal fato não constitua regra geral. Há ademais o remorso, gerando sofrimento moral para aquele que decidiu desertar da vida.

O espírita sério, adverte-nos Kardec, não se limita a crer, porque compreende, e compreende, porque raciocina. A vida futura é para ele uma realidade que se desenrola incessantemente aos seus olhos, uma realidade que ele toca e vê a cada passo, e de tal modo, que a dúvida não pode ter guarida em sua alma. A existência corporal, tão limitada, amesquinha-se diante da vida espiritual. Que lhe importam os incidentes da jornada, se compreende a causa e a utilidade das vicissitudes humanas quando suportadas com resignação?

A alma se eleva então em suas relações com o mundo visível; os laços fluídicos que a ligam à matéria enfraquecem-se, operando por antecipação um desprendimento parcial que facilita a passagem para a outra vida. A perturbação conseqüente à transição pouco perdura, porque, uma vez franqueado o passo, para logo se reconhece, nada estranhando, mas antes compreendendo sua nova situação.

A prece é útil no desprendimento
da alma

O desprendimento da alma, uma vez morto o corpo físico, começa pelas extremidades e vai-se completando na medida em que forem desligados os laços fluídicos que a prendem ao veículo carnal.

No livro Obreiros da Vida Eterna, de André Luiz, cap. XIII, o instrutor Jerônimo informa que há três regiões orgânicas fundamentais que demandam extremo cuidado nos serviços de liberação da alma: o centro vegetativo, ligado ao ventre, como sede das manifestações fisiológicas; o centro emocional, zona dos sentimentos e desejos, sediado no tórax, e o centro mental, situado no cérebro. 

Essa foi a ordem em que ele atuou    para facilitar o desprendimento de Dimas, descrito no referido livro.
A prece auxilia bastante o desprendimento do Espírito. Allan Kardec relata no livro O Céu e o Inferno o caso Augusto Michel, ocorrido em 1863, o qual pediu a um médium fosse até o cemitério orar no seu túmulo. O Espírito de Augusto Michel suplicou tanto, que o médium atendeu e no próprio cemitério ouviu o agradecimento de Michel, que se disse aliviado da constrição que antes o fazia preso ao corpo.

 Ao comentar o caso, Kardec indaga se o costume quase geral de orarmos ao pé dos defuntos não proviria da intuição inconsciente que se tem desse efeito.

ANO 1 Nº  13  Astolfo de Oliveira Filho